Eu só peço que algo faça sentido. Deixa-me viver um pouco de ti, vida. Dá-me um espaço, pequeno que seja, para que eu possa conhecer quem és. Não quero mascarar a vida que tenho. Tampouco, decorar o ambiente com sorrisos que não me definem. Não quero caminhar sem rumo. Eu quero ter aonde ir. Eu quero ter para onde ir, entendeste, vida?
Olha para mim. Estou aqui, à tua frente. Não me machuca assim... Não me devora assim. Ah, vida! Não me priva de viver. Eu não mereço teu desprezo. Ou mereço? Deve haver algum motivo para me ignorares tanto. Senta aqui do meu lado e, me diz. É para eu desistir? Os teus planos não coincidem com os meus?
Responda-me! Encara-me! Era para eu ter ido, meses atrás? Era para eu não ter escutado aquela criança? Era para eu ter seguido com o plano? Por isso me esnobas? Porque eu não deveria te ter mais?
Vida, olha para mim. Não me trata deste jeito. Dá-me um galho para eu me agarrar e, não me empurra para o penhasco. Não me faz sofrer assim. Dá-me esperanças. E uma certeza e, não te peço nada mais. Concede a mim uma certeza. Não me faz caminhar em vão. Não me faz caminhar até tão distante e, não encontrar abrigo na tempestade. Não me faz morrer na praia. Não me faz esperar o nada.
Aguardo respostas. E, não demora. Eu posso não estar aqui quando chegares. Porém, talvez seja essa a tua intenção. Fazer-me desistir. Obrigar-me a interromper o percurso.
Eu perco e, tu vences. Xeque-mate.
