sábado, 16 de julho de 2011

Citta


Encontro-me agora onde ninguém consegue ver. Aqui, em um lugar secreto, porém vívido.

Chegando aqui, encontrei o local escuro, sem luz alguma e, um silêncio, rompido pela minha entrada. O lugar está úmido. Olho de um lado a outro. Vazio. Onde estão os sorrisos, os olhinhos brilhando, as palavras deixadas, os encantos?

Sim. Há algo faltando. Na verdade, há tudo faltando. Todos os papéis foram arrancados do mural. A janela teve seu vidro partido. Cinzas, ao chão. Quem fez tal absurdo?

Sim. Meu coração revoltou-se contra mim. Atordoado, pediu-me para ir embora. Não me quis mais. Gritou comigo, decepcionado. “Sai daqui”, ele disse. “Não quero tua presença. Não te quero sozinha aqui. Volta para onde estavas”, gritava.

Abaixei a cabeça. Chorei. Peguei alguns pedaços de papel que estavam no chão, guardei-os e me preparei para sair. Virei-me, para tentar convencê-lo de que era ali que eu precisava ficar. “Eu quero voltar para casa”, pedi. “Vai. E só retorna com o que me trouxer à vida”. Virei o rosto, tentando procurar uma resposta. “Não chora. Vês isso aqui? Consegues sentir o local úmido pelas tuas lágrimas?”. Então, eu havia retornado mais vezes. E, como sempre, fui impedida de permanecer. E, eu chorava. “Fecha a porta, quando sair”, despedindo-se.

E voltei. Para onde, eu não sei. Minha teimosia não me faz desistir. Mas, sei que ele não me deixará entrar. Ele está certo. Este coração, está certo.