quinta-feira, 4 de agosto de 2011

O piano, o sentimento e as sombras


Não sou eu quem desliza as mãos sobre as teclas. É o sentimento, desprovido de fronteiras, que dá vida à cada compasso. Despeja sobre a vida, cada nota composta. A partitura, tatuada no corpo e na alma, renasce nos dedos. 

Não sou eu sentada à frente do piano. É a sombra e a metade do que existe por dentro. A cada som que escorrega pelas teclas, um pouco mais perto eu posso alcançar. Eu achei que estivesse composto a canção. Mas, foi ela quem me traduziu em sussurros. Foi o sentimento, em frenesi, que pôs pensamento em minutos. 

Chega perto. Dá-me tua mão. Toca. Respira cada espaço entre as notas compostas pra ti. Eu vou parar de tocar e a música não cessará. Elas não vêm das mãos. Vêm do coração. Eu vou parar de tocar e as teclas continuarão a se mover. É o sentimento, invisível, porém vívido, que rege a canção. 

Vês? Escutas?... Então, apaga as luzes e, dança comigo.