terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Olhos vermelhos


Por hora, as palavras se foram. Expressões deixaram de ser detalhes. Não reconheço meu rosto no espelho. Sempre o mesmo semblante cansado, apático. Minha voz permanece no mesmo tom, seco e arrastado. Os olhos? Vermelhos. Procurando foco. Distantes, e, perdidos. 

Os remédios estão todos ali, guardados. Não mantemos um diálogo. Não são o bastante. Ansiolíticos reduzem agitação psicomotora, mas não trazem minha serenidade de volta. Antidepressivos regulam seus devidos neurotransmissores, mas não me fazem sorrir por tanto tempo. Estabilizadores e antipsicóticos equilibram o humor, e, pensamento, mas não levam a dor e o vazio embora. Hipnóticos induzem o sono, mas não trazem para perto os meus melhores sonhos. 

A realidade tomou dimensões extremas, e pesadelos adquiriram forma. Está confuso dizer o que é real e o que não deveria ser. Misturaram-se. Uniram-se. Formaram par em uma dança simbiótica. Não sei quem saiu em vantagem. Eu, certamente, não foi. 

"O mundo já caiu. Só me resta dançar pelos destroços"
- Clarice Lispector