Durante a noite, não conseguiu dormir. Não conseguia permanecer sozinha na cama. Durante todas as noites, ainda o esperava para deitar. Esperava por aquele abraço, por aquele sorriso. Disse a si mesma que não suportaria uma segunda vez.
Seu corpo respondeu da pior maneira. Com a falta de apetite, com os enjoos, com os vômitos durante o dia, com as dores insuportáveis, com os desmaios sem causa aparente, com infecções descabidas e o que mais pudesse surgir.
Remédios não eram o suficiente, então não os quis mais. Não tinham qualquer efeito e não passavam de placebo. Amanda se recusava a viver a realidade que não era para ser a dela. Sequer quis admitir que usaria tudo o que fosse possível para viver uma mentira, porque a vida não passava de um teatro, onde todo mundo usa máscaras para sobreviver. Chegou à conclusão de que era preciso remoldar a verdade para sobreviver. Inclusive, para si mesma.
E assim encontrou algum refúgio. Em um abrigo insano, entorpecente, mas que lhe trouxe algum descanso. E quando os abrigos faziam efeito, Amanda conseguia fugir.
Ela não se importava de andar na tempestade. Ela só queria um caminho para seguir. Mas, a ponte se partiu em pedaços e Amanda se viu no mesmo lugar de muitos anos atrás. Andar em círculos cansa. Machuca.
Hoje, nada a faz permanecer sóbria.



