Os carros, uma metáfora barata da vida, passam em alta velocidade. Ela estende a mão, mas ele hesita. "Não perca os ponteiros do relógio, e com eles o tempo que não volta, pensando no que pode ser errado. Erro é um ponto de vista, não uma verdade", ela pensou. Poderiam estar muito bem juntos, se ele não pensasse tanto em querer acertar a qualquer custo.
Se ele quer continuar onde está, por se sentir mais confortável parado do que enfrentando os perigos do sinal verde (atravessa-se a rua quando a cor é verde, sabia?), ou se ele prefere esperar por outro alguém que seja o certo para si... Ela confessa então que não vai atravessar a rua com outra pessoa. Prefere assim arriscar um sinal vermelho sozinha.
Ela não quer chegar do outro lado sem ele. "Decida-te", gritou. O sinal não ficará verde para sempre. E se um carro atravessar o sinal vermelho? E o tempo... ele não volta.
