Eu não sei como começar a dizer isso. Palavras e sentimentos que nunca são ditos parecem não fazer sentido dentro da minha mente. Estou tentando organizar frases que se perdem em meio às lágrimas. Você não imagina como é difícil sentir-se o tempo todo escondido e esquecido no lado de dentro. Eu não sei se eu grito para a vida ou me calo diante dela.
Mesmo dormindo, eu não descanso. Já quis parar a montanha russa permanente na qual vivo. Dessas que me tiram o fôlego. Dessas que mal tenho onde me segurar. Já pedi uma resposta dos Céus ou uma visita de anjos divinos. Sequer fui ouvida.
Meus dias são cinzas, esquisitos, vividos sem sorrisos. As horas viram dias, os dias viram semanas, semanas viram anos ininterruptos, num eterno antes e depois angustiantes. Passo horas sem entender o antes e mais semanas com receio do depois. Tudo se resume a uma dualidade tempestuosa.
Meu sorriso, minha mania de andar sem roupa pela casa, meus momentos ao cantar em voz alta, minhas tentativas frustradas em estabelecer laços sociais se perdem no meio do escuro. Parece já não me assustar tanto o fato do escuro estar sempre presente, embora eu ainda procure um sinalizador para pedir resgate daqui de dentro.
Por pequenos momentos, eu me pego sendo mais leve, menos nublado. Talvez eu odeie seja lá quem, que nunca me avisou com antecedência do abismo da vida. Continuo na iminência de pular e cair no vazio que preenche o espaço aqui dentro.
Talvez, na próxima semana, nada disso faça sentido e eu esteja rindo e feliz como uma criança como se nada tivesse acontecido. Ou talvez pedaços de mim sejam jogados pela janela, embrulhados em um papel, onde está escrito: "Por que eu sou tão invisível"?
