Eu era insegura demais. Tímida demais. Mal conseguia falar sobre o que eu sentia, imagina ter a responsabilidade de marcar um encontro e me abrir completamente para alguém... Com a devida licença poética da palavra.
Prometi a mim mesma que não falaria sobre isso com ninguém. Talvez julgassem que eu fosse imprudente, jovem demais e talvez me arrependeria... ou pior, que não havia necessidade daquilo! Cruzes! Eu queria que alguém me ajudasse com as inúmeras dúvidas, não que me deixasse mais ansiosa.
Eu precisava daquilo. A falta estava consumindo a minha existência. Aquilo não saía da minha cabeça. Dia e noite eu me questionava se era a hora de fazer. E se eu não gostasse? E se eu gostasse? E se me machucasse? E se eu me frustrasse? Poderia eu fingir que nada havia acontecido? E se alguém descobrisse?
Decidi, após noites em claro, que eu tinha de fazer aquilo. Eu não suportava mais a falta e a minha incapacidade de lidar com o fato. Tão logo amanhecesse, planejaria o dia tão esperado. Ou tão pedido. Dizem que a primeira vez nunca se esquece. Mal podia conter o alívio ao saber que eu deixaria de ser quem eu era. Ou de ter o que eu ainda tinha. Em partes.
Na véspera, o desespero. Comecei a me questionar se eu havia tomado a decisão correta. Minha tia, percebendo minha inquietação, veio falar comigo. Nesse momento, era a única que sabia o que me esperava. Não me contive! Tinha de contar para pelo menos uma pessoa.
- Por que tão ansiosa?
- É algo grande o que está para acontecer.
Ela riu. Não entendi a piada. Eu era ingênua, aparentemente.
- Ele vai me foder! - reclamei em voz alta.
- O objetivo é esse, querida. - dizia, enquanto tomava seu café, muito tranquilamente. - E com o tempo, vai ser com força. Um dia você vai entender o porquê.
Olhei assustada para ela. Como que as pessoas fazem isso sem nenhum constrangimento ou vergonha?
- Estou com medo...
- Ah, não... Não precisa. Você vai gostar. Vai querer mais. Talvez precise fazer mais vezes durante a semana.
Suspirei fundo. Ainda me perguntava como as pessoas fazem algo que pode machucá-las.
- Você vai descobrir o seu gozo.
- Essa é a pior parte.
- Por que?
- Porque eu não sei o que vou fazer com isso.
- Ninguém sabe... isso leva tempo.
Odiava me dar conta de que eu era inexperiente naquilo. Fui dormir pensativa e preocupada. E me sentindo uma boba. Tentei dizer para mim mesma que com todo mundo era assim, no começo. Era o meu único consolo. Em todos os sentidos.
(...)
Acordei atrasada. Decidi não ir. Decidi ligar e dizer que naquele momento eu não estava pronta. Decidi dizer que não tinha coragem. Ainda. Decidi dizer que apenas o faria por pressão dos outros. Mentira... Ninguém sabia. Decidi ir. Decidir não ligar. E de novo decidi não ir, definitivamente. E aí decidi me arrumar e sair. Meu Deus, que indecisão.
Tomei banho e coloquei uma roupa qualquer. Afinal, a roupa era o que menos importava. Ou talvez fosse importante para uma primeira impressão... Eu não sabia bem. Troquei de roupa.
Olhava os ponteiros do relógio e percebi que a hora estava chegando. Meu coração quase saiu pela boca enquanto eu caminhava pela rua. Ainda dava tempo de dar meia volta. Quase o fiz, se não fosse a minha falta.
Toquei a campainha. Silêncio. Ainda dava tempo de sumir.
Silêncio. Eu ainda estava ali.
Ele abriu a porta. Uma porta branca, com um lindo tapete vinho na entrada... Ah, quem estou querendo enganar? Isso pouco importa.
Entrei. Sorri o sorriso mais sem graça do mundo inteiro. Quase abri a porta e saí correndo. Sentei no sofá, bastante confortável, inclusive. "É agora? Vai ser aqui?", me perguntei.
Ele me perguntou como eu estava. Oras... Não era óbvio que eu nunca havia feito isso antes? Eu estava com as mãos tremendo, sentia que minha alma estava se despedindo de mim. Senti a boca seca, um frio na barriga e vontade de gritar. Pensei em dizer "Vamos acabar logo com isso", mas seria deselegante. Quem falaria isso? E então pensei em perguntar se demoraria muito. Que broxante... A gente pensa cada bobagem nessas horas...
Eu não sabia por onde começar. Eu me senti completamente nua. Sem ter tirado a roupa. Tinha a certeza de que ele sabia exatamente o que eu estava pensando. Tinha de saber. Ele se mostrou muito paciente. E eu estava um furacão por dentro. Uma mistura de excitação, vergonha, medo, insegurança.
Começamos.
(...)
Saí sem palavras. Muda. Perplexa com o que eu vi e ouvi. Foi ensurdecedor! Senti que algo havia entrado em mim e, ao mesmo tempo, senti que alguma coisa havia saído. Machucou. Posso dizer que sangrou um pouco. Quase chorei de dor. Me senti encurralada várias vezes, mas eu queria mais. Precisava de mais.
Fazer análise é um processo lindamente trabalhoso. A primeira vez não precisa ser boa. Nunca é.
