sábado, 18 de fevereiro de 2023
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023
Para não perder o costume
(Eu já estava esperando por isso, na verdade. Sem vontade alguma. Ah, a previsibilidade... Conheço-te, criança, mais do que imaginas!)
--
E, como de costume, construíste um muro em volta de ti (aquele que prometeste derrubar, lembra?) como uma criança o faz quando se sente ameaçada. Minaste teu campo, para que ninguém consiga chegar perto de ti, mesmo tu implorando por amor.
De praxe, próximo de todas as datas comemorativas e feriados, voltas ao teu bunker, sem nem se dar conta. Quase inconscientemente, arrumas brigas insanas e aflora desentendimentos, discute por um garfo fora do lugar, justifica a ti mesmo tuas distâncias. Sim, precisas dizer a ti que não vales nada. Acreditas que não podes ter a dignidade de uma companhia, e então cria as mais diversas situações para não ficar. Teus delírios te consumiram a ponto de não saber qual é a realidade e o que é que corre nas tuas veias: não é sangue, é o teu passado.
O passado se fazendo presente e futuro. O medo se fazendo rotina. A insegurança sendo tua refeição diária. Colocas sempre um fim naquilo que te deixa em pé. Afinal, só soubeste te arrastar na lama. Um fim para não querer saber. Um fim para não querer sentir. Um fim para não se responsabilizar. Um fim para não ter de ver o que está diante dos teus olhos.
Tua cegueira é infinitamente maior. Permanente (se assim deixares). É quase tua paixão avassaladora. Ao primeiro sinal de luz, sai correndo para o meio do escuro. Dizes por aí que te abandonam. Só não contas que hoje tu fazes o papel dos outros que andaram pelo teu passado. Foges tanto dele que o encontras em cada esquina da vida. Quem teme tanto o abandono, está fadado a torná-lo realidade. Alguns chamam isso de autossabotagem, eu chamo de brincadeira de esconde-esconde.
Contas até 100. Um olhar no espelho e põe tudo a perder. Não sabes o que fazer comigo. Não aprendeste o depois. Afinal, ninguém ficou para contar história. Meu Deus, o que fazer se eu fico? O teu manual de como viver a vida não ensinou isso. Têm algo errado! Logo, vamos pôr um fim nisso. Pronto. Problema resolvido.
(Ilusões são uma coisa louca, né?)
Clozapina não vai curar o passado. Lisdexanfetamina não vai te fazer acordar para a vida. O que cura é ficar. Mas esqueces que foges dela, tão perseguida por ti, como o diabo foge da cruz. Mas não estás pronto para essa conversa. Não sei se um dia estará.
Ao menos, a culpa de sempre pôr um fim e desistir, eu não carrego. Afinal, não sou eu quem está às voltas e mais voltas ao redor do abandono. A resposta está logo na tua frente. Opa, esqueci da cegueira.
Por aqui, o ódio não se fez presente. Outro sentimento ainda (perdido) corre sem freio. E arde.
(Adeus para sempre. Até a proxima olhadinha de canto no espelho)


