segunda-feira, 31 de julho de 2023

Project Rose #5: Verdade ou mentira?

 


Quando digo palavras... O que você ouve?
O que você gostaria de ouvir? 
O que você não quer ouvir? 
Quando eu falo... O que você não entende? 
O que escapa aos seus ouvidos? 
O que eu posso falar para você? 
O que eu posso esconder de você? 
O que não pode ser dito por mim? 
O que eu não quero que seja dito por mim?
O que você vai fazer com o que eu disser?
O que você vai ouvir quando eu começar a falar? 
E se eu nunca falar? 
Se eu nunca falar, o que há para ouvir?
Há algo que precisa ser dito? 
Ou... há algo que precisa ser ouvido? 
Dito por quem?
Ouvido por quem?
Essa conversa é intermediada por quem? 
Pelo que?
Pelo tempo? 
Pelo medo? 
Pela angústia? 
Por obrigação?
Pela dor?
Porque você quer? 
Eu quero?
Eu sei o que eu quero?
Eu sei do que eu preciso? 
Eu sei falar?
Eu sei esconder de você? 
Você sabe aquilo que eu não digo? 
Você não sabe das coisas que eu digo?
Eu sei dizer a verdade?
Eu sei mentir? 
Eu sei falar abertamente?
Eu sei ficar sem falar?
Você consegue não ouvir se eu falar? 
E se eu falar demais?
E se não houver palavras que possam expressar o que quero dizer?
Você sabe ouvir as palavras que você não gosta?
Eu sei dizer aquilo que não gosto? 
As palavras sairão deste lugar? 
Você contará a alguém?
Eu contaria a outra pessoa?
Eu, tu, nós... 
Nós que não desfazem. 
Laços de letras mal-ditas. 



"Estou tentando chegar até você, 
para descobrir que você não está aí. 
Acordo todas as noites 
para ver o estado em que encontro. 
É como uma luta infinita 
em que pareço nunca ganhar. 
Eu deveria deixar pra lá (...) 
e fechar as portas da dúvida". 
- Where are you now? 




domingo, 16 de julho de 2023

Palavras em silêncio

 


Ouça o meu silêncio. Ele grita. 
Ouça o meu silêncio. Ele chora.
Ouça o meu silêncio. Ele precisa ser levado em consideração, ao contrário dos delírios teus.
Ouça o meu silêncio quando preferires te afastar do que resolver. 
Ouça o meu silêncio quando digo que não brigarei contigo. 
Ouça o meu silêncio enquanto gritas por uma resposta.

Não percebeste? Fingiu que não sabe? Fez de conta que não viu? 

Entre meus silêncios, saem minhas risadas de canto de boca. Incrível tua capacidade de dar voltas e mais voltas como um ciclone ao redor do que tu mesmo causas e não consegues admitir. 

Grita, chora, reclama, quebra copos e mesas. Tens uma cegueira inabalável, para não ter que fazer o que precisas. Tens tantas chances, tens tantas oportunidades... produzes a granada, e, preferes jogar para o outro e dar 13 passos para trás. Afinal, na tua cabeça delirante, não há realidade possível em compreender que fico, apesar da tão velada e secreta verdade. 

Teu piloto automático está com defeito. Cuidado aí. 

Cada um constrói a sua realidade de acordo com suas próprias fantasias. E cada um tem seu tempo para ver que delírios nem sempre são verdades incontestes. Mas não espere que eu endosse os teus. 

Ouça o meu silêncio. Ele fala sobre saudade, sobre a falta que fazes. Além de cego, tu és surdo. Não percebeste? Claro que não perceberia... afinal, teus delírios tomaram conta de ti e regem a tua sinfonia da vida. 

Eu já sei o que me escondes. Eu já sei o que nunca queres dizer em voz alta, e portanto, jamais assumir um compromisso sério. Embora sempre afirmes o contrário. Um "em breve" que jamais chega. Ai de mim se exigir mais presença. Cais numa espiral de jogar para mim teus maiores medos e inseguranças. Tu morres de medo de mim. Tu morres de medo de estar comigo. Eu já sei o que te impede de caminhar ao meu lado. Deliras tanto que deixaste escapar tuas verdades absolutas que, ao meu olhar, são totalmente questionáveis. 

Ouça o meu silêncio. Embora, só consigas ouvir que não sou confiável o suficiente para saber. 

Ouça o meu silêncio quando inicias uma discussão que sabes que não irá a lugar algum. Do que adianta falar se teus delírios falam mais alto?

Ouça o meu silêncio enquanto me acusas de um monólogo. Estás certo. Se é para ouvir teus delírios novamente... eu permaneço em silêncio. Ou só ficaremos dando voltas em um ponto que foi exclusivamente desenhado por ti. 

Tens todo o direito de guardar tudo para ti e permanecer no teu inútil silêncio. Só não espere de mim um caminho que cruzou o meu limite. Não espere de mim amor quando me dás tua distância. Não espere de mim carinho quando tens um surto a cada vez que peço, pelo amor de Deus, para colocar tudo em pratos limpos e resolver o quebra-cabeças. 

Se preferes seguir em tua solidão completamente desnecessária, é escolha sua. Sustente-a. Não jogue para mim a verdade que você não diz. 

Nesse teu silêncio ensurdecedor que produz em mim um zumbido estressante, nesse teu silêncio falante e pedinte por demonstrações de amor, nesse teu silêncio medroso e inseguro, eu construí o meu. Não estás preparado para essa conversa. Talvez, jamais esteja. 

Deixa de ouvir teu passado, teus delírios e as paranoias de cada dia e ouve o meu silêncio. Se tiveres esperteza o suficiente, ouvirás um "Te amo. Fica comigo. Mas faz do jeito certo. Para de fugir, eu ainda estou aqui. Eu já sei. Falta tu saberes. Falta tua coragem de me dar tua mão. Falta tirares a venda dos olhos e se responsabilizar por nós dois. Falta tu. Eu não sou duas pessoas. Não posso ser somente eu a carregar um relacionamento."

Meu silêncio é cheio de palavras não ditas. Não ouves. Palavras também podem ser sussurradas em silêncio. Palavras não faladas também têm poder. 

Ouça o meu silêncio. Ele diz muito mais do que consigo verbalizar. Estás realmente pronto a ouvir o que meu silêncio diz? 




P.S.1: Disseste que eu estava certa demais, segura demais do que eu sei. Fato... estou. Por estar, eu sei exatamente o que eu digo e o que não digo. De novo, voltamos ao silêncio. Ouves? Talvez, quando realmente conseguires ouvir, será tarde demais e verás o quanto de tempo perdeste sendo cego e surdo. E burro, ouso a dizer. Talvez, finalmente comeces a falar. Talvez. Depende de ti. 

P.S.2: Muitos anos atrás disseste, atropelando palavras, que se eu soubesse de questões suas, jamais ficaria. Não vês o que está na tua frente. Meu amor, eu sei. Eu escolhi ficar. Mas não sabes lidar com isso. O medo é tanto que preferes virar de costas e não ver. O que o pânico não faz, não é mesmo? Catastrofizas e não olhas o que está diante de ti. Que pena... perdes tempos preciosos ao meu lado. Um tempo que não volta mais. Tic toc.