terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

A bola de cristal

Perguntei às estrelas sobre nosso futuro. Elas apontaram para a lua. Perguntei aos videntes sobre nosso futuro. Eles apontaram para a escuridão. Os búzios saltavam das mãos do tarólogo, caindo da mesa de cartas. Nem um mísero pedacinho de plástico, ou seja lá do que são feitos, quis me mostrar algo. Ou na verdade, me mostrou e eu não quis ver. 

Comprei uma bola de cristal e mais uma vez perguntei sobre nosso futuro. Ela não funciona. Ou na verdade, ela deu o recado que eu não quis ouvir: nós não funcionamos. 

Após carregar o relacionamento nas costas por tanto tempo, respirei fundo e sorri. O sorriso foi acompanhado de lágrimas. Muitas. Incontáveis. Continuo com elas, com o passar dos meses. Finalmente entendi, talvez, que nunca haverá um futuro. Tudo foi um esforço meu para que fôssemos algo além de mentiras, distorções de palavras, lágrimas escondidas, noites insones e faltas jamais amparadas. 

Tu sempre soubeste de tudo. Sempre foi como bem querias, ainda que eu pressionasse o contrário. Enfrentei o mundo por ti, mas, voltei da guerra derrotada. Sem nem uma medalha de honra pelo tempo desperdiçado. O tempo... esse ladrão de vidas. Insensível. Irredutível. Irreparável. Sempre soubeste do tempo... Sempre soubeste do quanto eu sofria, e ainda assim não moveste um dedo para parar o relógio da saudade. 

E agora estou aqui, com as cartas jogadas na mesa (as minhas, claro. Jamais as tuas). Manter o status quo dá ao tempo a impressão de que boas vindas chegarão. Aquela tal esperançaquenuncamorremasquemorreuenãosabequeagoravagapelomundodosmortos

O tempo, as mentiras, os desencontros e suas façanhas... um prato cheio para o amor se fazer insuficiente. Nunca foi suficiente. Nunca será. O medo, a insegurança, o desejo pela própria destruição (e a burrice) sempre terão um peso maior do que o coitado do amor. O jogo de azar sempre falará mais alto ao chegar meia noite. 

As cartas não mentem. Tu, sim. A lua não me traiu. Tu, sim. Os búzios saíram correndo das mãos por um motivo. Eu, fiquei

E tu... ahh, tu continuarás em alguma prisão mental construída pelas vozes da tua cabeça. Não acredite em tudo o que você pensa. Eu acreditei... e, olha onde chegamos. 

Amor é uma invenção feita a dois. Fizemos amor? Talvez saberei o que se salvou quando os ponteiros do relógio terminarem de acabar. 

Amar não basta. E, alguns, não suportam ser amados.