Alguém como ela
Era uma tarde ensolarada. Daquelas em que o sol parece querer visitar a Terra para ver sua beleza mais de perto. Sentada em uma das mesas de uma conhecida rede de lanchonete, está Catherine, tomando um cappuccino.
Sem ter pensamentos fixos, aprecia a orla. Algum tempo depois, lá longe, avista um casal. Poderia ser qualquer um, se não fosse quem ela bem conhecesse. Olha novamente, na dúvida e, finalmente tem a certeza. À beira do rio, o passado de Catherine andava de mãos dadas com seu não-presente.
Observa aquele casal, faz uma resenha crítica de seus desencontros, analisa cada passo daqueles dois que poderiam ser, ainda, Catherine e ele.
Olha para a mesa. Sorri, sem alegria. Levanta a cabeça, olhando para um dos lados, na tentativa de fugir do que viu. Fechando os olhos, uma música tocava em sua mente. Uma música longa, alegre e, ao mesmo tempo, melancólica, que contava, em cada verso, todos os dias de Catherine com ele. Cada sim, cada não, cada palavra, cada lua e sol, cada dia sem ele.
Ajeitava-se na cadeira, sem saber se saía ou se ali ficava. Apertava as mãos, como se quisesse esmagar a maneira como se sentia. Respirava profundamente, na tentativa de por para dentro tudo o que transbordava.
"Quem é ela para merecer teu amor? Quem é ela para que a dediques os olhares que eram só meus?", pensava, enquanto apertava as mãos com mais força. Não desviava mais o olhar. Era algo que não conseguia ter controle. "Eu sei...", pensava. "Tu estás melhor sem mim".
Levantou-se, armada com toda a força de seu passado, do amor que ainda nutria dentro de si. Partiu, com passos lentos e firmes, em direção aquele casal. Os punhos cerrados, uma mescla de ira e afeto. Ao aproximar-se e receber olhares de atenção do casal, toda essa energia foi liberada em uma lágrima, um sorriso triste e uma frase à nova namorada: "Cuida bem dele".

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