Era uma tarde de domingo. Ele, sentado na grama. Ela, deitada com a cabeça em suas pernas.
– Esse parque já foi mais bonito, mais cuidado. - ele diz.
– Também acho. Ou seriam nossos olhos que não veem beleza em tudo, como em nosso primeiro passeio aqui? – ela responde.
“Por que ela não pensa mais no que conquistamos, e menos no que perdemos?” – ele pensa consigo. Ele olha para um casal caminhando no parque.
– Eu sei... – ela diz. Ele a olha, esperando que prossiga, porém, ela não continua.
– Sabes o quê? – abre um sorriso indagador e acaricia os cabelos dela. Ela sorri, ajeitando o rosto na mão dele. – Esqueça. Isso não é importante. – diz em tom quase inaudível.
– Tudo que é teu é importante pra mim, sabes disso.
– Importa-te. – ela responde prontamente, olhando o casal passeando ao lado e, com um olhar triste, retorna rapidamente à mão dele.
– Importar-me? - ele diz.
– Sim, és importante para mim. – ela responde. “Não sei se sou importante para ti da forma como desejo”, pensa.
– Então, se somos importantes um para o outro, por que estamos assim?
Ela pensou em dizer algo... Mas hesitou. Concentrando-se no carinho que ele fazia em seus cabelos negros, fechou os olhos.
– Eu te amo. – disse ele, não tendo mais palavras para falar sobre tudo o que devia.
Acariciando o rosto dela, ele sentiu a pele úmida. Uma lágrima caía.
– Por que estamos tão distantes? – disse ele, segurando as lágrimas.
– Eu temo não ser boa para ti. Não ser o que tu esperas. Não dar o que mais precisas. Talvez, por isso, eu esteja me afastando. – diz, pausadamente, com os olhos cheios de lágrimas, sem olhar para ele.
Ele, com os olhos marejados, buscando o olhar dela, responde:
– Não precisamos ser bons um para o outro. Precisamos viver, acrescentar. E compartilhar, não só as alegrias, mas tudo. Se estou contigo, é porque te quero.
Ainda em lágrimas, ela afasta o rosto da mão dele, segurando-a. Olha para ele, ainda deitada em seu colo.
– Eu preciso ser boa para ti, sim. Eu não te quero sofrendo. Eu não quero que te sintas como alguém que nada tem. Eu não quero te fazer mal algum. – diz, com a voz embargada. Ele seca uma lágrima dela com um beijo.
– Como assim, não tenho nada? – encosta a sua testa na dela. – Apenas quero que me deixes sentir também tua tristeza.
– Tu já sentes. – diz, olhando profundamente nos olhos dele. – Se não sentisses, não me farias estas perguntas.
– E o que será de nós, então? – pergunta, temendo a resposta. Ela entrelaça suas mãos nas dele, voltando os olhos vermelhos para o casal ao lado.
– Será esse nosso destino?
– Podemos ser o que quisermos.
– O que achas?
– Não precisas me perguntar. Sabes a resposta.
Chorando, ela levanta, toca o rosto dele com uma das mãos, aproxima-se de sua boca, apoiando-se na coxa dele, apertando-a com a outra mão. Tenta dizer algo, mas os olhos cheios de lágrimas disseram muito mais do que as palavras seriam capazes de dizer. Segurou seus cabelos, beijou-o na testa. Voltou o olhar para os olhos vermelhos dele. Percorria com o olhar cada detalhe do seu rosto. Tentava sussurrar algo, mas só conseguia olhá-lo intensamente, no desespero de parar o tempo. Olhava-o com uma melancolia peculiar, porém, expressando uma alegria que ela só sentia ao estar com ele. Ele pôde ler cada lágrima, cada sentimento que o rosto dela era capaz de dizer, em silêncio. O que os lábios não disseram, o rosto e o olhar foram capazes de deixar explícito.
– Isso foi um "eu te amo"? – ele diz, beijando-a ininterruptamente.
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