Agridoce
Olhando para algum tempo atrás, não tão distante das horas que hoje correm devagar, se eu publicasse uma foto em alguma rede social, certamente eu a usaria para ganhar mais visualizações e curtidas. As pessoas gostam de determinadas fotos, de imagens específicas que afaguem os seus olhos, momentos que chamem a atenção de quem ali está. Nem que para isso você precise arrumar algo para aparecer naquela imagem do jeito que você quer e para como quer que as pessoas se sintam.
Não posso me esquecer, é claro, das legendas ou títulos daquelas imagens. Algo que toque as pessoas, algo sobre a qual elas estejam passando, algo sobre o que elas gostariam de ler. Existem inúmeras técnicas para aprender como fazer textos chamativos e imagens que encantem as pessoas. Não me surpreendo com o sucesso que fazem os programas sensacionalistas e textos de auto ajuda escritos por aí. Brincar com o desejo e com o gozo nunca foi tão preciso.
Por entre cliques, imagens, palavras de empoderamento e coraçõezinhos, resta o invisível aos olhares eufóricos pela próxima polêmica ou meme. Resta o mal-dito. Resta aquilo que não se diz. Gritado, talvez, mas quem ouve? As pessoas acreditam saber escutar, quando não sabem que fingem em ouvir o outro.
Hoje, a chuva lamenta lá fora... Meu nome possivelmente pode ser mudado para silêncio. O drama bateu à porta. Mentiras me mandaram cartas com meias verdades. Tenho um relacionamento sério com a dor. Inimiga de mim mesma, sou vizinha da angústia, e, não satisfeita, fui fazer amizade com a chatice.
O pior.

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