domingo, 15 de agosto de 2021

Lockdown


Por medo e insegurança, ele evitava a qualquer custo se comprometer no relacionamento. Inventava motivos para permanecer distante, se agarrava ao mínimo impedimento para justificar seu comportamento. Criava uma briga ou discussão para evitar conversar o óbvio e o urgente.

Tinha pavor de que o passado se repetisse, seu relacionamento era acorrentado às crenças negativas e infortúnios. "Vai acontecer de novo", "Vou ser rejeitado", "Vou sofrer novamente"... Era o que passava pela mente dele em todos os momentos.

E o tempo passa... 

Ela deixou claro inúmeras vezes que o queria e não desistiria. Faria chover canivetes se fosse possível. Ela chorava de vez em quando, de saudade, mas nada dizia. Ele não a escutava. Ouvia, mas não escutava o que ela colocava para fora. 

Ela queria dizer que sentia sua falta. Mas achava que nada adiantaria. No final do dia, era sempre um "Eu estou bem e você?" que conseguiam dizer um ao outro. De resto, nada faria diferença. As certezas dele eram quase psicóticas.

Ela tinha plena certeza de que ele só daria valor aos dois quando ela morresse. Quando não estivesse mais aqui, ele pensaria que poderia ter feito diferente e aproveitado o tempo que restava. Arrependimento mata?

"Não temos todo o tempo do mundo. O tempo passa... e ele não volta nunca mais. Um dia eu não estarei mais aqui", ela dizia para si, enxugando uma lágrima. 

Tic-tac.

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