domingo, 10 de abril de 2022

Amor em Las Vegas

 

Dizes que amas... mas, pouco tempo tens para passar com quem amas.
Dizes que amas, mas o pouco tempo que tens é falando sobre trabalho e impasses laborais. 
Dizes que amas, mas não sabes terminar uma conversa sobre um "nós".
Dizes que amas, mas raramente toca no assunto, e quando faz um movimento para elaborar um "nós", achas melhor fazer em outro momento mais apropriado. E o momento nunca parece ser suficiente bom para falar sobre. Sempre deixado para depois. 
Dizes que amas, mas foges do amor como o diabo foge da cruz. Ao menor indício de entrega, dás dois passos para trás e corre para longe.
Dizes que amas, mas não percebeste que amor não é um verbo que se conjuga só com palavras. 
Dizes que amas, mas finge demência ao falar sério de um compromisso.
Dizes que amas, mas parece amar mais o trabalho, e dar a vida por ele, do que amar quem está ao teu lado. 
Dizes que amas, mas colocas todas as justificativas possíveis e imagináveis para não se comprometer com quem se ama.
Dizes que amas, mas prefere comer outra pessoa do que estar junto de quem amas. 
Dizes que amas, mas em qualquer discussão dizes que não deveriam estar juntos ou que quem amas merece coisa melhor. São somente essas as tuas cartas no jogo do amor. Em definitivo.
Dizes que amas, mas ao primeiro sinal de proximidade, és rude, ácido e impulsivo ao jogar para o outro lado do rio o sentimento de quem amas. 
Dizes que amas dizendo "Eu te amo", mas o que mais dizes nas entrelinhas é "Vou me manter longe. Não insista".
Dizes que amas, mas ao se sentir pressionado a agir como adulto para com quem amas, alteras o tom de voz e diz que está muito ocupado.
Dizes que amas, mas o medo, a insegurança e as mentiras são muito maiores do que investir no ficar junto. 
Dizes que amas, enquanto fazes de tudo para manter distância física de quem amas.
Dizes que amas, mas achas que somente uma pessoa interessada em dinheiro estaria contigo. 
Dizes que amas, mas não sabes honrar compromissos matrimoniais. 
Dizes que amas, mas só tens em mente o amor romântico, e, justamente por isso, impossível. 
Dizes que amas, mas perguntas "O que eu faço contigo?" quando se sente acuado ao tomar uma decisão sobre um "nós". Fazes nem ideia de como agir. Para que agir se nossas fantasias são muito mais confortáveis?

Só que...

Não sustentamos o amor com nossas fantasias. Embora acreditemos nisso piamente. Os contos Disney que o digam... Em algum momento, a realidade bate na porta e grita "Ei, planeta Terra chamando". Em algum momento, as fantasias farão do amor insuportável. Não porque amar seja ruim... Mas, é nessa hora que achamos que amar dá trabalho demais. E amar é perder doses homeopáticas diárias de narcisismo. E a gente não quer perder porra nenhuma. Nem peso. 

Amar é uma aposta constante. Mas tem pessoas que não colocam os pés em cassinos com medo de perder a alma. Inocentes... 

 

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