Pôr do sol. Exatamente 18:14h. Enquanto ele estava na loja de conveniência de um posto de gasolina qualquer, comprando alguma comida para a viagem, ela olhava para o relógio do GPS do carro. Por um segundo, olhou para o lado, como quem procura por respostas. Respirou fundo, ligou o carro e esperou ele voltar.
- Está tudo tão caro! Um simples pão de queijo por 8 reais! - ele diz, ao abrir a porta do carro.
- Fato. - respondeu baixinho, com as mãos no volante, sem olhar para ele.
- O que tu tens? - ele pergunta, enquanto saem do posto até a avenida mais próxima.
- Nada... Estou dirigindo. - Diz, tentando não entrar em conflito.
- Não deveríamos fazer essa viagem. Não é um bom momento. Não estamos bem.
Ela respira fundo novamente, para o carro, e olha para a luz vermelha do semáforo.
- Quer voltar para casa? Quer desistir de ir?
- Não. - ele respondeu.
- Então por que diz que não deveríamos ir? - pergunta, finalmente olhando para ele.
- Porque poderíamos estar melhor para viajar. Sem precisar usar tantas máscaras sociais e fingir que está tudo bem. Mas se para ti está ok essa situação, então vamos lá.
- Não entendes mesmo o motivo de eu estar diferente? Não entendes eu sentir a tua falta e exigir mais presença? Por que sempre fazes disso uma tempestade? Santo Deus...
- Tu escolheste te afastar.
- Eu não escolhi nada. Eu não me afastei!!! - gritou, enquanto reduzia a velocidade. - Não consegues ver o que está bem diante dos teus olhos? Não entendes que estou reativa a ti? Que porra é essa que tu estás fazendo com a gente?
Ele permaneceu em silêncio.
- Tu deverias começar as sessões com teu analista. Vais precisar. - finalizou, enquanto colocava alguma música para tocar, interrompendo a discussão entre os dois.
Ela já sabia o que ia acontecer. Engoliu o choro. Olhou fixamente para a estrada e se concentrou em dirigir. Pensou em dizer algo, mas conteve-se. Ele não acreditaria. Ele estava agarrado em seus próprios pensamentos. Ele construiu seu próprio muro, sua própria prisão mental, essa que ela estava, exaustivamente, tentando derrubar.
Era sempre ele quem dava 2 passos para trás. Ela sempre ficava, não importa o que acontecesse. Dos incontestáveis términos, ela nunca participou. A insegurança era tão presente, que ele preferia se afastar do que ter seu medo do abandono tornado realidade. Ela sempre ficou. Sempre estaria ali. Embora, ele sempre colocasse em cima dela os afastamentos que talvez nem ele mesmo entendia por que fazia.
Engoliu o choro. Mais uma vez. Afinal, não era ela quem havia mantido distância, mesmo estando tão próximos.

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