quinta-feira, 10 de outubro de 2024

domingo, 1 de setembro de 2024

Você está sozinha nessa, criança


"Eu esperei muito tempo para te ver lá. 
Eu procurei na festa dos corpos mais belos
Só para aprender que você nunca se importou
Você está sozinha nessa, criança. 
Você sempre esteve...

(...)

Eu dei meu sangue, suor e lágrimas por isso. 
Organizei festas e me fiz passar fome 
Como se eu fosse ser salva pelo beijo perfeito
Eu olhei ao redor
Em um vestido encharcado de sangue
E vi algo que não podem tirar de mim
Porque as páginas foram viradas
E decisões foram tomadas 
Tudo o que você perde é um passo que você dá
Agarre o momento e aproveite-o
Você não motivo para ter medo
Você está sozinha nessa, criança 
Você sempre esteve"


You're on your own kid - Taylor Swift 



quinta-feira, 28 de março de 2024

Síndrome de Cotard

O que significa viver? Qual o sentido da vida? Qual o sentido de estar aqui quando logo estaremos enterrados a sete palmos da terra? 

Por que comer as melhores comidas, ir aos melhores restaurantes, viajar para os melhores destinos, compor as melhores melodias e criar obras de arte se morreremos em alguns anos? 

Para que declarações de amor, buscar por amizade, construir afetos em família, formar laços com desconhecidos, defender dissertações e trabalhar duro quando em breve tudo estará acabado? 

Encher a cara, fazer festa do pijama, estudar para vestibular, maratonar séries, , decorar a casa, comemorar Natais, cantar parabéns, esperar ansioso por estreias de filmes e lançamentos de álbuns do seu artista favorito... se... tudo isso um dia será esquecido no tempo e espaço? 

Para que tratar doenças e transtornos? Para ter a famosa qualidade de vida? Para que ter qualidade de vida se todos morreremos no final? 

Por que estamos aqui? Por que viver 5, 10, 30, 75, 91 anos... se nada disso importará mais? Por que esses pensamentos não saem da minha mente? Não foi agora que descobri que pessoas morrem. 

Brigar com quem amamos, odiar quem detestamos, arrumar confusão com vizinhos, discutir na fila do supermercado e iniciar intrigas matrimoniais se... A morte é o que nos espera? 

Para que serve um filho? Para que serve um amigo? Para que serve um ou mais amores? Quando morrermos, nada disso terá qualquer valor. 

Eu não reconheço meu reflexo no espelho. Nada faz sentido. Nem mesmo rezar um Pai Nosso. Por que respirar se no segundo seguinte podemos não estar mais aqui? 

Acho que já morri e não percebi. Ainda não me dei conta de que não existo mais. Essas palavras escritas aqui já não tem qualquer significado. 

Eu fui assassinada. 

Ou me matei? Talvez seja uma linha tênue o que queremos e o que o outro faz conosco. Eu ouço meu coração bater... mas, quem está aqui? 

Escrevo de qualquer jeito, para ser entendido de qualquer forma, lido por qualquer um a qualquer momento, afinal, a vida não passa de 1 segundo sem sentido em meio a bilhões de anos do universo. 

Preciso talvez conversar com Deus sobre me tornar imortal. Não quero mais brincar de morte. 

Tudo se perderá com o tempo... 

Viver por que? Rir, chorar, desejar, superar, gritar para que? 

Viver e morrer. Não há diferença. 

Eu não sei o que digo. Para quem digo. 

Eu não estou aqui. E se estou... isso não importa. Não somos nada. 



* Taylor Swift nas gravações do clipe de "Look what you made me do"

terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

A bola de cristal

Perguntei às estrelas sobre nosso futuro. Elas apontaram para a lua. Perguntei aos videntes sobre nosso futuro. Eles apontaram para a escuridão. Os búzios saltavam das mãos do tarólogo, caindo da mesa de cartas. Nem um mísero pedacinho de plástico, ou seja lá do que são feitos, quis me mostrar algo. Ou na verdade, me mostrou e eu não quis ver. 

Comprei uma bola de cristal e mais uma vez perguntei sobre nosso futuro. Ela não funciona. Ou na verdade, ela deu o recado que eu não quis ouvir: nós não funcionamos. 

Após carregar o relacionamento nas costas por tanto tempo, respirei fundo e sorri. O sorriso foi acompanhado de lágrimas. Muitas. Incontáveis. Continuo com elas, com o passar dos meses. Finalmente entendi, talvez, que nunca haverá um futuro. Tudo foi um esforço meu para que fôssemos algo além de mentiras, distorções de palavras, lágrimas escondidas, noites insones e faltas jamais amparadas. 

Tu sempre soubeste de tudo. Sempre foi como bem querias, ainda que eu pressionasse o contrário. Enfrentei o mundo por ti, mas, voltei da guerra derrotada. Sem nem uma medalha de honra pelo tempo desperdiçado. O tempo... esse ladrão de vidas. Insensível. Irredutível. Irreparável. Sempre soubeste do tempo... Sempre soubeste do quanto eu sofria, e ainda assim não moveste um dedo para parar o relógio da saudade. 

E agora estou aqui, com as cartas jogadas na mesa (as minhas, claro. Jamais as tuas). Manter o status quo dá ao tempo a impressão de que boas vindas chegarão. Aquela tal esperançaquenuncamorremasquemorreuenãosabequeagoravagapelomundodosmortos

O tempo, as mentiras, os desencontros e suas façanhas... um prato cheio para o amor se fazer insuficiente. Nunca foi suficiente. Nunca será. O medo, a insegurança, o desejo pela própria destruição (e a burrice) sempre terão um peso maior do que o coitado do amor. O jogo de azar sempre falará mais alto ao chegar meia noite. 

As cartas não mentem. Tu, sim. A lua não me traiu. Tu, sim. Os búzios saíram correndo das mãos por um motivo. Eu, fiquei

E tu... ahh, tu continuarás em alguma prisão mental construída pelas vozes da tua cabeça. Não acredite em tudo o que você pensa. Eu acreditei... e, olha onde chegamos. 

Amor é uma invenção feita a dois. Fizemos amor? Talvez saberei o que se salvou quando os ponteiros do relógio terminarem de acabar. 

Amar não basta. E, alguns, não suportam ser amados.


sábado, 6 de janeiro de 2024

Amigos: para que os temos?

 

"Amizades acabam, e está tudo bem", dizem. 

Está? Pelo ponto de vista de quem? 

Amizade é também um outro nome para o amor. Parece-me inapropriado, a princípio, dizer que amores acabam e tudo fica bem. Quem amou? Quem ainda ama mesmo com o fim? O que esse amou representou para as partes envolvidas? Esse amor esteve envolvido em qual contexto? Em qual vida? 

Geralmente, amores relacionados a pais e filhos, cônjuges, namorados, familiares... são vistos como mais importantes a serem zelados, mais fortes e mais duradouros, e, quando acabam, muitas vezes, de forma desastrosa e unilateral, deixam marcas. Para alguns deixam traumas, para outros um alívio. O amor acabou, mas um "para sempre" estará constantemente ali. Doendo. Latejando. Morto-vivo. E isso nos molda e dá um contorno dolorido e um sentido torto para nossa existência. 

Amores acabam. Ou ao menos, as relações que envolviam esse amor. "Fim" é um nome curto e grosso para o luto. E, sabe... há inúmeras formas de amar. Há quem não saiba amar, há quem não saiba ser amado, e, por consequência ser cuidado. As fantasias se entrelaçam e formam um nó, a confiança manda beijos e há quem não saiba reconhecer ajuda e preocupação, e ao não saber lidar com o amor (só com a dor!) desconfie de tudo e todos, e que tudo não passa de uma conspiração para lhe fazer mal. Afinal, o mal é o seu normal. 

Há quem confunda gatilhos, rejeição e julgamentos com ser amado e bagunce todos os seus amores dali pra frente. Tudo vira uma sopa de mal-entendidos que achamos que entendemos muito bem e, portanto, queremos distância... já que o amor, aos nossos olhos míopes, acabou. 

Acabou ou eu acabei com o amor? Acabou ou eu confundi com o meu passado obscuro que não conto nem para a minha sombra? Mas... mas... no momento de discernir abuso de amor... bem, continuo um escravo do poder perverso do outro sobre mim, na esperança de ser amado (🤡🤡), e, ao invés de cortar abusos, acabo por cortar o fio que eu tinha amarrado aos amigos que fiz e a uma vida que eu não sabia que era tão possível assim de ser vivida. Oops... 

(Quem nos ama e quem nos quer mal... um quebra cabeças - literalmente parte em pedaços as cabeças dos envolvidos - que não sabemos montar. Temos a faca e o queijo nas mãos... e cortamos o nosso dedo ao invés de tirar uma bela fatia de um queijo delicioso... uma loucura!)

A partir daí, é quase sempre um não sei o que fazer/e agora?/não quero lidar com isso. E a bola de neve vira uma avalanche. Quem for atingido por ela que se prepare: não há manual para ensinar a viver a vida. Não há manual que ensine a saber conviver com o outro.

Do outro lado... está... O outro lado. A outra vida. Ou as outras vidas. Que estão ali em pé sem entender muita coisa. Como um noivo que espera a noiva no altar e... ela fugiu. Não quis se casar, não avisou ninguém e nem se despediu. 

É... eu já estive no lugar de quem acabou amizades por evidências baseadas em fantasias. Eu sei a dor de reconhecer e não conseguir de volta o amor que deixei escapar. Como uma criança que não soube segurar o balão e ele voou bem alto, desaparecendo no céu. 

E... hoje estou no lugar de quem perdeu amigos, por eles mesmos. Um lugar impotente. Não conseguimos fazer de tudo pelo outro. Não conseguimos abraçar o mundo do outro sem um braço para apoio. Talvez eu espere demais das pessoas, achando que em algum momento podem olhar para o óbvio, que não é óbvio para tantos sujeitos. Talvez eu seja boba em esperar do outro o que ele não sabe dar ou não quer dar (e por que ainda sigo esperando?). Talvez, pelo andar da carruagem, eu já tinha noção do que estava para acontecer. O ser humano não me surpreende, sabia? É quase um roteiro já escrito. Previsível. Mas é com o ser humano que atamos laços, criamos relações e socializamos. Um beco sem saída. 

Perder um amigo é perder um pedaço de si. E assim seguimos, aos pedaços por um quebra-cabeças que jogaram no chão e peças faltam. 

Faltam. Continuarão faltando.