quinta-feira, 5 de julho de 2018

Com hora (des)marcada


Cá estou eu, atrasadíssima, para minha análise. Quase sempre tomo banho e troco de roupa em cima da hora. Quando fora de casa... Bem, fico procurando outras coisas para fazer até o horário do atendimento. Há algumas semanas, venho pensando mesmo em dar um tempo da minha analista. É bem verdade que comecei há poucas semanas, e, tenho tido dificuldade em reservar um horário na semana com ela.

Não tenho tido muitos recursos financeiros, devo dizer, embora ela me diga que isso não seria impedimento e que há diferentes formas de pagar uma análise, que o investimento não é só financeiro, e etc. Mas, acho que quando você não tem dinheiro para algo, é melhor não insistir em fazer. E, convenhamos, é caro fazer terapia. Além de ser incômodo ficar falando e falando e sentindo como se minha analista estivesse vendo minha alma pelas minhas palavras. Eu até espero alguma resposta, mas ela sempre me questiona em alguns pontos, e, nossa... Que tarefa difícil falar sobre si! Começo a pensar coisas que antes não pensava, e às vezes, saio pior do que entrei. Não deveria ser o contrário? As suas perguntas ficam na minha cabeça por dias e chego a perder o sono!

Constantemente chego em casa com uma certa raiva da minha analista! Coisa horrorosa essa de ficar colocando o dedo na ferida. Às vezes penso que da minha ferida cuido eu. Para que um outro alguém olhando para ela? Saio da sessão querendo nunca mais ver minha analista. Embora eu sempre confirme a sessão da semana seguinte.

Cá estou eu, na rua próxima ao seu consultório. Será que posso cancelar agora? Por estar muito atrasada... Talvez remarcar para amanhã ou outro momento ainda nessa semana. Mas, espere... Lembrei que tenho um aniversário para ir amanhã pela tarde. Não poderia faltar em um aniversário! Depois de amanhã tenho cinema com alguns amigos da faculdade. De manhã cedo também não posso... não irei acordar cedo para ir à analista, não é? Também deixo meus primos na escolinha de inglês duas vezes na semana, e sempre preciso pedir para meu pai emprestar seu carro para que eu consiga sair com mais tranquilidade. Duas sessões na semana seguinte ficam muito caras para pagar. Eu poderia usar esse dinheiro para economizar e comprar um sapato ou mais comida para quando receber os amigos no final de semana.

Por fim, eu não sabia que fazer análise exige algum sacrifício ou disposição para abrir mão de algo. Quero soluções, sabe? Se eu mesma que tenho de resolver minhas questões... prefiro contar meus problemas para os meus amigos, ao menos eles concordam comigo e me aconselham...

É, acho que vou mesmo parar minha análise.



P.S.: Ah, a dor gozosa... Essa lamentação interminável (que chega a lugar nenhum) que o analista, felizmente, não acolhe... 

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