"Não somos mais o que éramos. Achei que pudéssemos voltar a ser"
Não podemos. A realidade bateu na porta. Não somos os mesmos de 10 anos atrás. Todo mundo muda, em alguma medida, de alguma forma. A nostalgia não passa de uma ilusão utópica. Só podemos seguir sendo o que éramos no passado, se dermos um passo ao futuro. Um paradoxo.
Eu mudei. Eu mudei quando percebi que tuas palavras eram só palavras. Mudei quando vi que não farias o que fosse necessário para me ter contigo, embora me atestasse o contrário, diversas vezes.
Eu esperei. Esperei por um gesto teu. Esperei por uma decisão tua. Esperei pelo teu olhar. Esperei pelo teu toque. Esperei pelo teu abraço. Esperei pelo teu carinho.
Recebi de volta mais de 100 justificativas. Esperei mais ainda. Te dei de volta incontáveis chances. Eu disse inúmeras vezes que tu não sabias dar valor ao que tinhas. Ignoraste-me. Jogavas contra mim. Contra nós. Entravas no teu modo defesa, me atacavas com palavras que diziam mais do teu medo do que de nós, e nos partia ao meio. Preferias isso a de fato estar comigo.
Uma de tuas justificativas para não estar comigo era a tão aguardada "eu não sei o teu pior. Todo mundo tem um lado obscuro. Mostra-me o teu".
Eis-me aqui. Ferindo-te com palavras, com raiva, te machucando no mesmo nível que me machucas com a tua distância. Secretamente, também é a minha forma de dizer que ainda te amo e me importo contigo, já que do jeito tradicional sou impedida de dizer. Se tu dizes que agora sim conheceste meu lado cruel... bem, amor... agora essa justificativa não podes usar mais, viu?
Todos nós amamos à uma certa distância, é bem verdade. Ainda que um casal durma na mesma cama. Tu levas a distância extremamente a sério. Literalmente. Talvez, é só assim que tu consigas amar. Talvez, é só assim que consigas sustentar um "nós". Afinal, eu sei o motivo da tua distância. E eu realmente não sei se um dia estarás pronto para falar o que eu já sei. Queria ouvir de ti. Da tua boca. Só o que ouço dela é um "Jamais me terás como queres". Talvez, seja tua forma de me dizer que nunca vais conseguir me contar o por quê. Teu medo te cega.
Talvez eu precise entender isso. Talvez isso precise que essa frase dita uma única vez por ti entre na mente, definitivamente. Mas, se um dia isso entrar na minha mente... O que resta de mim?
Vamos brincar de "você finge que me engana e eu finjo que acredito". De certo, muita gente no mundo só consiga sobreviver assim.
Talvez, tu jamais me darás a oportunidade de dizer que não te rejeitarias como a tua cabeça te faz acreditar. Que isso não seria um problema. Talvez, tu tenhas medo de entender que eu ainda assim escolheria estar contigo. O que farias com essa informação? O que farias com o meu sim?
É interessante como passamos a viver a vida com base nos nossos fantasmas, nos nossos piores pesadelos. E, só talvez, eles jamais seriam reais se a gente desse uma única chance deles irem embora.
Ainda sigo sem saber o que fazer com o amor que sinto. Com a saudade. Com a falta. Hoje eu posso dizer que entendo quem usa o álcool ou outras drogas para fugir da realidade. Ela é devastadora mesmo.
Nunca, nunca me deixaste mostrar o quanto te amo. Porque falar é muito fácil, tão fácil que todo mundo diz a todo momento por todos os motivos. Nunca me deixaste mostrar o quanto tu podes baixar a guarda comigo. O quanto tu podes deixar a insegurança se afogar sozinha.
Talvez, isso jamais seja possível. Talvez, eu passe a vida inteira sem conseguir te mostrar tudo isso. Por puro medo teu. Descabido. Irreal. Dilacerante. Inútil. Burro.
Talvez, minha vida, com todas as experiências possíveis já vividas se resume a um impossível. O impossível bate na minha porta desde que eu era criança. O possível sempre se desfaz na minha frente.
O que me resta?
O que me resta?
O que sobra?
O que sobra?
Talvez, tu já estejas bem com os teus impossíveis que acreditas existir. Talvez, eu precise mesmo mais do que tu de um "cuide-se". E... há diferentes formas de cuidado.
(...)
Qual é o bar mais próximo?

Anaaa, ca-ra-lho. Meu Deus VSF. Tocou tão fundo aqui que pensei na minha vida e agora tô em lágrimas caiu um cisco no meu olho pjsoakspaskapso
ResponderExcluirFico sempre intrigada, positivamente, quando algo que eu escrevo toca alguém. Toca mais algumas pessoas, e, em menor intensidade outras pessoas. As palavras escritas também tomam forma dependendo de quem as lê. O texto deixa de ser só meu.
ExcluirObrigada pela leitura e pelo "toque", rs.