quarta-feira, 2 de agosto de 2023
terça-feira, 1 de agosto de 2023
August
segunda-feira, 31 de julho de 2023
Project Rose #5: Verdade ou mentira?
domingo, 16 de julho de 2023
Palavras em silêncio
Encantada
"Tudo que posso dizer é que foi encantador te conhecer"
- Encantada, Taylor Swift
segunda-feira, 12 de junho de 2023
Quem sou eu?
Eu sinto saudades de mim. Mas, eu não sei nem quem eu sou, então, como sentir falta de quem eu não conheço?
Talvez, e só talvez, eu sinta falta do que eu não fui. Da infância roubada de mim. Do carinho que eu não recebi. Dos inúmeros "parabéns" sinceros que não ouvi. Das nuvens cor de rosa e com sabor de algodão doce que nunca me deram. Das fantasias que não me permitiram ter. Dos sonhos tirados de mim no primeiro sinal de liberdade.
Sinto falta do sabor da comida. Um bolo de chocolate, nos meus aniversários, tinha sabor de ódio. O cachorro-quente tinha sabor de mágoa. O arroz com ovo tinha sabor de humilhação. O feijão com macarrão tinha sabor de um pesadelo que não acaba nunca. O pastel com frango tinha sabor de cinzas. Colocaram a minha alma em chamas sem meu consentimento.
Não sinto falta do nada. Do toque que eu não quis. Da violência que eu não pedi para sofrer. Dos gritos que eu dei abafados no travesseiro. Da proteção manchada de sangue.
Eu não sei quem eu sou. Mas eu sei que eu não sou nada. Eu sou alguma coisa.
Serei mais um fôlego e menos um tiro no escuro. Serei mais um sorriso e menos um corpo jogado no chão. Serei mais um "eu" e menos um "eles".
Serei o passo que eu der em direção ao caminho que eu escolher. Serei a gota de esperança banhada a "não solte a minha mão".
Serei-a.
quinta-feira, 11 de maio de 2023
Um eterno talvez
domingo, 7 de maio de 2023
Controle de fronteira durante a chuva (o impostor)
"Você sabe que tem algo a mais aí, e isso é com você, não comigo. Não joga para mim", disse Sarah, antes de se levantar após encerrar a discussão e ter ouvido, aos gritos, um "cala a boca".
Uma tempestade estava chegando. Tanto lá fora quanto dentro de casa. Talvez, a vigésima só no início do ano. Cada vez mais constante ouvia frases como "você não me ama mais", "eu deixei de ser importante para você", "você não me entende" e sempre pensava em responder algo, e desistia todas vezes. Evitava a todo custo brigas que durariam horas ou dias.
Estava exausta de sentir saudade, de pedir para "pelo amor de Deus, para com essa merda e resolve o que precisa resolver", de tentar conversar sem gerar brigas dramáticas e desnecessárias. De tentar responsabilizar a outra parte pelo relacionamento, sem que isso virasse um jogo de xadrez e tudo sempre voltasse contra ela. Estava exausta de pisar em ovos. De ter a sensação de que andava por um campo minado, em que precisava tomar cuidado com qual passo dava em direção a sabe-se lá onde.
Tudo isso em meio a um "não me deixe". Como não deixar se a outra pessoa fazia de tudo para sabotar o relacionamento? Como não deixar se o outro lado preferia terminar tudo antes de se sentir rejeitado? Tudo virava de ponta cabeça a cada frase distorcida, paranoias e jogo de palavras.
Tentou sentar para conversar sobre o que estava acontecendo e explicar o que a outra pessoa fazia sem perceber, tornando o diálogo impossível. Ouvia sempre que ela exigia demais, pressionava demais e a outra parte já estava farta do trabalho para ter que lidar com mais problemas pessoais. Certa vez, ouviu da outra pessoa em questão perguntar se o trabalho as afastaria. Pensou em dizer que não. Não era o trabalho o problema. Não era o trabalho que as afastaria. Era ela mesma. Desistiu. Parou de falar. Parou de dizer que sente saudade, parou de dizer que amava aquela pessoa.
E então começaram os ataques de pânico. No início, esporádicos. Por fim, foram ficando cada vez mais frequentes. Diários. Mas não podia falar nada. Ou ouviria pela milésima vez "Está vendo? Sou uma má pessoa. Você não me merece. Não fique comigo. Procure alguém melhor". Ela ria cada vez que ouvia essas frases. Ensaiava um discurso para novamente explicar o que acontecia, mas o outro lado jamais iria admitir, e, desistia.
Sofria sozinha. Já estava sozinha, de qualquer forma. O outro lado só pensava em trabalho. Mais trabalho. Fugia para o trabalho para não ter de encarar o resto da própria vida. E quando encarava tudo o que precisava resolver, dizia sempre que queria morrer. E que ela jamais entenderia.
O outro lado mal sabia que ela sabia. Das mentiras como sintoma. Das fugas. Das 300 justificativas não justificáveis para não caminharem juntos. Mal sabia que ela sabia que tudo era uma cortina de fumaça para abafar o que a outra parte nunca quis contar. Ela sabia.
Tudo se resumiu a ouvir um "Você está diferente comigo". Sim, ela estava diferente. Deixou de reclamar que a outra pessoa não dava valor ao que tinha. Não acreditava mais em palavras que não encontravam ações reais. Deixou de acreditar no tal "romântico incorrigível" que a outra parte alegava ser. Tão romântico que não mexia um dedo para estar com Sarah. Como são as ilusões que cada um acredita para si... "Me dê 1 ano". Ela deu 5 anos. Mais do que 5, na verdade.
Na verdade, era cômodo para o outro lado manter o status quo na relação. Algo do tipo "não me lembre do que preciso fazer. Vamos seguindo e estando tudo bem. Não me lembre das minhas mentiras. Só fique comigo. Mas não exija nada de mim. Enquanto eu sempre direi que quero estar contigo, embora jamais o faça. Mas fique comigo. Vamos seguindo. Não me pressione. Um dia, quem sabe, farei o que você gostaria".
Ali, ela entendeu. Ali ela entendeu que jamais as coisas mudariam se o outro lado não dissesse a verdade, sem antes se proteger com crises de raiva, brigas e infinitos testes. Ela era sempre testada para saber se ainda queria, se ainda amava. "Você ainda me ama?", "Ainda pensa em ficar comigo para sempre?", "Você ainda me tem nos seus planos?", "Vamos viajar juntos. Quando você programou as suas férias?". Qualquer boa reposta para apaziguar a angústia do outro lado, sem que isso signifique, que de fato, dariam um passo a frente para permanecerem juntos. Afinal, em todas as hipóteses possíveis (na mente da outra parte do relacionamento), a pessoa seria rejeitada e deixada por ela.
Sarah ria quando ouvia que rejeitaria facilmente o outro lado. Mal sabia que ela já sabia. E que ainda estava ali, tentando. Ria das atitudes desesperadas do outro lado feitas por motivos... inúteis. Ela ainda estava ali. Pensou em dizer que a outra parte era cega demais e não via o que estava bem diante dos seus olhos. Mas seria em vão. A outra pessoa só acreditava 100% nas armadilhas da sua própria mente. Uma pena.
Ali ela entendeu que amor não segura relacionamento. Entendeu que amor nunca é, sozinho, suficiente para sustentar uma relação. Ela já sabia disso, mas relutava em entender. E chorava. Soluçava. Sentia uma raiva gigante ao ver a outra pessoa tomando atitudes tiradas do cu para manter um distância sem sentido.
Os ataques de pânico era uma forma dela gritar "Para com isso, pelo amor de Deus". Mas jamais seria ouvida. Não diria a ninguém. Não falava nada. Só ouviria o mesmo discurso de sempre. Ria de ódio ao ouvir que o melhor era cada um seguir seu caminho. Era uma risada melancólica. Digna de O Coringa. Ria da atitude impensada, impulsiva e cheia de insegurança da outra parte em querer terminar tudo. Não resolveria absolutamente nada. Só isentaria o outro lado da responsabilidade de ficar. Cômodo, no mínimo. É mais fácil fugir do que ficar. Sempre é.
Parou de dizer. Parou de ser. E isso teve consequências. Mas, silêncio. Ninguém podia saber. Ou seria mais uma tempestade em alto mar. Lembrou de algo que ouvira muitos anos atrás. "Se eu te contasse a verdade, você jamais iria querer me ver de novo". Dizia mentalmente, "Eu já sei, idiota. Não subestime minha inteligência".
Durante a tempestade de verão, ela sentou para tomar um chá. Dizem que chá de camomila acalma. Risos. Talvez fosse necessária uma floresta inteira de flores de camomila para acalmar a angústia.
Às vezes é melhor sair da realidade quando a dor é excruciante. Então, vamos lá, pensou ela.
terça-feira, 25 de abril de 2023
Project Rose #4: Desconhecida
segunda-feira, 10 de abril de 2023
Project Rose #3: A garota no espelho
segunda-feira, 3 de abril de 2023
Project Rose #2: Minto, logo existo
Para crescer, a criança aprende a mentir. Para sobreviver, adultos continuam a mentir.
Enquanto crianças contam mentirinhas... Adultos tropeçam na própria vida, perdidos sobre o que fazer (algum dia não ficaremos?) e as mentiras tomam a forma que a nossa imaginação quiser.
Para não ter que lidar com o outro... Para não ter que lidar comigo, digo inverdades. As pessoas irão acreditar, sim! Porque sou eu. Como não acreditariam em mim? Eu sou tudo o que eles querem ver e ouvir.
Talvez, só talvez... quando conto mentiras para eles... eu esteja sempre contando a mim mesma. Talvez eu precise acreditar no que eu digo para assim seguir. E sabe, minhas mentiras são minhas verdades, maquiadas para que os outros não precisem ver. Me ver. Me perceber. Me conhecer.
É mais fácil eu performar e alimentar todas as suas fantasias do que catar no chão meus fragmentos de verdade. Alguém ficaria se conseguisse me olhar sem figurinos e efeitos especiais? Alguém se afastaria se presenciasse eu desabando?
Calma... Antes, vamos cantar e dançar uma composição minha enquanto vocês apreciam minhas máscaras e enquanto eu não sei o que fazer com a minha realidade.
Project Rose #1: Oops
O que eles farão quando descobrirem que eu os odeio?
domingo, 5 de março de 2023
A viagem
Pôr do sol. Exatamente 18:14h. Enquanto ele estava na loja de conveniência de um posto de gasolina qualquer, comprando alguma comida para a viagem, ela olhava para o relógio do GPS do carro. Por um segundo, olhou para o lado, como quem procura por respostas. Respirou fundo, ligou o carro e esperou ele voltar.
- Está tudo tão caro! Um simples pão de queijo por 8 reais! - ele diz, ao abrir a porta do carro.
- Fato. - respondeu baixinho, com as mãos no volante, sem olhar para ele.
- O que tu tens? - ele pergunta, enquanto saem do posto até a avenida mais próxima.
- Nada... Estou dirigindo. - Diz, tentando não entrar em conflito.
- Não deveríamos fazer essa viagem. Não é um bom momento. Não estamos bem.
Ela respira fundo novamente, para o carro, e olha para a luz vermelha do semáforo.
- Quer voltar para casa? Quer desistir de ir?
- Não. - ele respondeu.
- Então por que diz que não deveríamos ir? - pergunta, finalmente olhando para ele.
- Porque poderíamos estar melhor para viajar. Sem precisar usar tantas máscaras sociais e fingir que está tudo bem. Mas se para ti está ok essa situação, então vamos lá.
- Não entendes mesmo o motivo de eu estar diferente? Não entendes eu sentir a tua falta e exigir mais presença? Por que sempre fazes disso uma tempestade? Santo Deus...
- Tu escolheste te afastar.
- Eu não escolhi nada. Eu não me afastei!!! - gritou, enquanto reduzia a velocidade. - Não consegues ver o que está bem diante dos teus olhos? Não entendes que estou reativa a ti? Que porra é essa que tu estás fazendo com a gente?
Ele permaneceu em silêncio.
- Tu deverias começar as sessões com teu analista. Vais precisar. - finalizou, enquanto colocava alguma música para tocar, interrompendo a discussão entre os dois.
Ela já sabia o que ia acontecer. Engoliu o choro. Olhou fixamente para a estrada e se concentrou em dirigir. Pensou em dizer algo, mas conteve-se. Ele não acreditaria. Ele estava agarrado em seus próprios pensamentos. Ele construiu seu próprio muro, sua própria prisão mental, essa que ela estava, exaustivamente, tentando derrubar.
Era sempre ele quem dava 2 passos para trás. Ela sempre ficava, não importa o que acontecesse. Dos incontestáveis términos, ela nunca participou. A insegurança era tão presente, que ele preferia se afastar do que ter seu medo do abandono tornado realidade. Ela sempre ficou. Sempre estaria ali. Embora, ele sempre colocasse em cima dela os afastamentos que talvez nem ele mesmo entendia por que fazia.
Engoliu o choro. Mais uma vez. Afinal, não era ela quem havia mantido distância, mesmo estando tão próximos.
sábado, 18 de fevereiro de 2023
Re-replay
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023
Para não perder o costume
(Eu já estava esperando por isso, na verdade. Sem vontade alguma. Ah, a previsibilidade... Conheço-te, criança, mais do que imaginas!)
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E, como de costume, construíste um muro em volta de ti (aquele que prometeste derrubar, lembra?) como uma criança o faz quando se sente ameaçada. Minaste teu campo, para que ninguém consiga chegar perto de ti, mesmo tu implorando por amor.
De praxe, próximo de todas as datas comemorativas e feriados, voltas ao teu bunker, sem nem se dar conta. Quase inconscientemente, arrumas brigas insanas e aflora desentendimentos, discute por um garfo fora do lugar, justifica a ti mesmo tuas distâncias. Sim, precisas dizer a ti que não vales nada. Acreditas que não podes ter a dignidade de uma companhia, e então cria as mais diversas situações para não ficar. Teus delírios te consumiram a ponto de não saber qual é a realidade e o que é que corre nas tuas veias: não é sangue, é o teu passado.
O passado se fazendo presente e futuro. O medo se fazendo rotina. A insegurança sendo tua refeição diária. Colocas sempre um fim naquilo que te deixa em pé. Afinal, só soubeste te arrastar na lama. Um fim para não querer saber. Um fim para não querer sentir. Um fim para não se responsabilizar. Um fim para não ter de ver o que está diante dos teus olhos.
Tua cegueira é infinitamente maior. Permanente (se assim deixares). É quase tua paixão avassaladora. Ao primeiro sinal de luz, sai correndo para o meio do escuro. Dizes por aí que te abandonam. Só não contas que hoje tu fazes o papel dos outros que andaram pelo teu passado. Foges tanto dele que o encontras em cada esquina da vida. Quem teme tanto o abandono, está fadado a torná-lo realidade. Alguns chamam isso de autossabotagem, eu chamo de brincadeira de esconde-esconde.
Contas até 100. Um olhar no espelho e põe tudo a perder. Não sabes o que fazer comigo. Não aprendeste o depois. Afinal, ninguém ficou para contar história. Meu Deus, o que fazer se eu fico? O teu manual de como viver a vida não ensinou isso. Têm algo errado! Logo, vamos pôr um fim nisso. Pronto. Problema resolvido.
(Ilusões são uma coisa louca, né?)
Clozapina não vai curar o passado. Lisdexanfetamina não vai te fazer acordar para a vida. O que cura é ficar. Mas esqueces que foges dela, tão perseguida por ti, como o diabo foge da cruz. Mas não estás pronto para essa conversa. Não sei se um dia estará.
Ao menos, a culpa de sempre pôr um fim e desistir, eu não carrego. Afinal, não sou eu quem está às voltas e mais voltas ao redor do abandono. A resposta está logo na tua frente. Opa, esqueci da cegueira.
Por aqui, o ódio não se fez presente. Outro sentimento ainda (perdido) corre sem freio. E arde.
(Adeus para sempre. Até a proxima olhadinha de canto no espelho)













