quarta-feira, 2 de agosto de 2023

A última vez


"E bem diante dos seus olhos, estou desmoronando. 
É a última vez que estou te pedindo isso, 
coloque meu nome no topo da sua lista. 
Está é a última que pergunto o por quê. 
Você parte meu coração em um piscar de olhos.
Você se encontra na minha porta, assim como todas as outras vezes antes. 
Você usa sua melhor desculpa. 
Todas as vezes que eu te deixei entrar, 
só para te ver partir de novo. 
E bem diante dos seus olhos, eu estou sofrendo. 
Esta é a ultima vez que você 
me diz que entendi errado
Esta é a ultima vez que digo: Foi sempre você
Esta é a ultima vez que deixo 
você entrar pela minha porta
Esta é a ultima vez, não vou mais te machucar"


- The last time, Taylor Swift

terça-feira, 1 de agosto de 2023

segunda-feira, 31 de julho de 2023

Project Rose #5: Verdade ou mentira?

 


Quando digo palavras... O que você ouve?
O que você gostaria de ouvir? 
O que você não quer ouvir? 
Quando eu falo... O que você não entende? 
O que escapa aos seus ouvidos? 
O que eu posso falar para você? 
O que eu posso esconder de você? 
O que não pode ser dito por mim? 
O que eu não quero que seja dito por mim?
O que você vai fazer com o que eu disser?
O que você vai ouvir quando eu começar a falar? 
E se eu nunca falar? 
Se eu nunca falar, o que há para ouvir?
Há algo que precisa ser dito? 
Ou... há algo que precisa ser ouvido? 
Dito por quem?
Ouvido por quem?
Essa conversa é intermediada por quem? 
Pelo que?
Pelo tempo? 
Pelo medo? 
Pela angústia? 
Por obrigação?
Pela dor?
Porque você quer? 
Eu quero?
Eu sei o que eu quero?
Eu sei do que eu preciso? 
Eu sei falar?
Eu sei esconder de você? 
Você sabe aquilo que eu não digo? 
Você não sabe das coisas que eu digo?
Eu sei dizer a verdade?
Eu sei mentir? 
Eu sei falar abertamente?
Eu sei ficar sem falar?
Você consegue não ouvir se eu falar? 
E se eu falar demais?
E se não houver palavras que possam expressar o que quero dizer?
Você sabe ouvir as palavras que você não gosta?
Eu sei dizer aquilo que não gosto? 
As palavras sairão deste lugar? 
Você contará a alguém?
Eu contaria a outra pessoa?
Eu, tu, nós... 
Nós que não desfazem. 
Laços de letras mal-ditas. 



"Estou tentando chegar até você, 
para descobrir que você não está aí. 
Acordo todas as noites 
para ver o estado em que encontro. 
É como uma luta infinita 
em que pareço nunca ganhar. 
Eu deveria deixar pra lá (...) 
e fechar as portas da dúvida". 
- Where are you now? 




domingo, 16 de julho de 2023

Palavras em silêncio

 


Ouça o meu silêncio. Ele grita. 
Ouça o meu silêncio. Ele chora.
Ouça o meu silêncio. Ele precisa ser levado em consideração, ao contrário dos delírios teus.
Ouça o meu silêncio quando preferires te afastar do que resolver. 
Ouça o meu silêncio quando digo que não brigarei contigo. 
Ouça o meu silêncio enquanto gritas por uma resposta.

Não percebeste? Fingiu que não sabe? Fez de conta que não viu? 

Entre meus silêncios, saem minhas risadas de canto de boca. Incrível tua capacidade de dar voltas e mais voltas como um ciclone ao redor do que tu mesmo causas e não consegues admitir. 

Grita, chora, reclama, quebra copos e mesas. Tens uma cegueira inabalável, para não ter que fazer o que precisas. Tens tantas chances, tens tantas oportunidades... produzes a granada, e, preferes jogar para o outro e dar 13 passos para trás. Afinal, na tua cabeça delirante, não há realidade possível em compreender que fico, apesar da tão velada e secreta verdade. 

Teu piloto automático está com defeito. Cuidado aí. 

Cada um constrói a sua realidade de acordo com suas próprias fantasias. E cada um tem seu tempo para ver que delírios nem sempre são verdades incontestes. Mas não espere que eu endosse os teus. 

Ouça o meu silêncio. Ele fala sobre saudade, sobre a falta que fazes. Além de cego, tu és surdo. Não percebeste? Claro que não perceberia... afinal, teus delírios tomaram conta de ti e regem a tua sinfonia da vida. 

Eu já sei o que me escondes. Eu já sei o que nunca queres dizer em voz alta, e portanto, jamais assumir um compromisso sério. Embora sempre afirmes o contrário. Um "em breve" que jamais chega. Ai de mim se exigir mais presença. Cais numa espiral de jogar para mim teus maiores medos e inseguranças. Tu morres de medo de mim. Tu morres de medo de estar comigo. Eu já sei o que te impede de caminhar ao meu lado. Deliras tanto que deixaste escapar tuas verdades absolutas que, ao meu olhar, são totalmente questionáveis. 

Ouça o meu silêncio. Embora, só consigas ouvir que não sou confiável o suficiente para saber. 

Ouça o meu silêncio quando inicias uma discussão que sabes que não irá a lugar algum. Do que adianta falar se teus delírios falam mais alto?

Ouça o meu silêncio enquanto me acusas de um monólogo. Estás certo. Se é para ouvir teus delírios novamente... eu permaneço em silêncio. Ou só ficaremos dando voltas em um ponto que foi exclusivamente desenhado por ti. 

Tens todo o direito de guardar tudo para ti e permanecer no teu inútil silêncio. Só não espere de mim um caminho que cruzou o meu limite. Não espere de mim amor quando me dás tua distância. Não espere de mim carinho quando tens um surto a cada vez que peço, pelo amor de Deus, para colocar tudo em pratos limpos e resolver o quebra-cabeças. 

Se preferes seguir em tua solidão completamente desnecessária, é escolha sua. Sustente-a. Não jogue para mim a verdade que você não diz. 

Nesse teu silêncio ensurdecedor que produz em mim um zumbido estressante, nesse teu silêncio falante e pedinte por demonstrações de amor, nesse teu silêncio medroso e inseguro, eu construí o meu. Não estás preparado para essa conversa. Talvez, jamais esteja. 

Deixa de ouvir teu passado, teus delírios e as paranoias de cada dia e ouve o meu silêncio. Se tiveres esperteza o suficiente, ouvirás um "Te amo. Fica comigo. Mas faz do jeito certo. Para de fugir, eu ainda estou aqui. Eu já sei. Falta tu saberes. Falta tua coragem de me dar tua mão. Falta tirares a venda dos olhos e se responsabilizar por nós dois. Falta tu. Eu não sou duas pessoas. Não posso ser somente eu a carregar um relacionamento."

Meu silêncio é cheio de palavras não ditas. Não ouves. Palavras também podem ser sussurradas em silêncio. Palavras não faladas também têm poder. 

Ouça o meu silêncio. Ele diz muito mais do que consigo verbalizar. Estás realmente pronto a ouvir o que meu silêncio diz? 




P.S.1: Disseste que eu estava certa demais, segura demais do que eu sei. Fato... estou. Por estar, eu sei exatamente o que eu digo e o que não digo. De novo, voltamos ao silêncio. Ouves? Talvez, quando realmente conseguires ouvir, será tarde demais e verás o quanto de tempo perdeste sendo cego e surdo. E burro, ouso a dizer. Talvez, finalmente comeces a falar. Talvez. Depende de ti. 

P.S.2: Muitos anos atrás disseste, atropelando palavras, que se eu soubesse de questões suas, jamais ficaria. Não vês o que está na tua frente. Meu amor, eu sei. Eu escolhi ficar. Mas não sabes lidar com isso. O medo é tanto que preferes virar de costas e não ver. O que o pânico não faz, não é mesmo? Catastrofizas e não olhas o que está diante de ti. Que pena... perdes tempos preciosos ao meu lado. Um tempo que não volta mais. Tic toc. 

segunda-feira, 12 de junho de 2023

Quem sou eu?

 


Eu sinto saudades de mim. Mas, eu não sei nem quem eu sou, então, como sentir falta de quem eu não conheço? 

Talvez, e só talvez, eu sinta falta do que eu não fui. Da infância roubada de mim. Do carinho que eu não recebi. Dos inúmeros "parabéns" sinceros que não ouvi. Das nuvens cor de rosa e com sabor de algodão doce que nunca me deram. Das fantasias que não me permitiram ter. Dos sonhos tirados de mim no primeiro sinal de liberdade. 

Sinto falta do sabor da comida. Um bolo de chocolate, nos meus aniversários, tinha sabor de ódio. O cachorro-quente tinha sabor de mágoa. O arroz com ovo tinha sabor de humilhação. O feijão com macarrão tinha sabor de um pesadelo que não acaba nunca. O pastel com frango tinha sabor de cinzas. Colocaram a minha alma em chamas sem meu consentimento. 

Não sinto falta do nada. Do toque que eu não quis. Da violência que eu não pedi para sofrer. Dos gritos que eu dei abafados no travesseiro. Da proteção manchada de sangue. 

Eu não sei quem eu sou. Mas eu sei que eu não sou nada. Eu sou alguma coisa. 

Serei mais um fôlego e menos um tiro no escuro. Serei mais um sorriso e menos um corpo jogado no chão. Serei mais um "eu" e menos um "eles". 

Serei o passo que eu der em direção ao caminho que eu escolher. Serei a gota de esperança banhada a "não solte a minha mão".

Serei-a. 

quinta-feira, 11 de maio de 2023

Um eterno talvez


"Não somos mais o que éramos. Achei que pudéssemos voltar a ser"
 
Não podemos. A realidade bateu na porta. Não somos os mesmos de 10 anos atrás. Todo mundo muda, em alguma medida, de alguma forma. A nostalgia não passa de uma ilusão utópica. Só podemos seguir sendo o que éramos no passado, se dermos um passo ao futuro. Um paradoxo.

Eu mudei. Eu mudei quando percebi que tuas palavras eram só palavras. Mudei quando vi que não farias o que fosse necessário para me ter contigo, embora me atestasse o contrário, diversas vezes. 

Eu esperei. Esperei por um gesto teu. Esperei por uma decisão tua. Esperei pelo teu olhar. Esperei pelo teu toque. Esperei pelo teu abraço. Esperei pelo teu carinho. 

Recebi de volta mais de 100 justificativas. Esperei mais ainda. Te dei de volta incontáveis chances. Eu disse inúmeras vezes que tu não sabias dar valor ao que tinhas. Ignoraste-me. Jogavas contra mim. Contra nós. Entravas no teu modo defesa, me atacavas com palavras que diziam mais do teu medo do que de nós, e nos partia ao meio. Preferias isso a de fato estar comigo. 

Uma de tuas justificativas para não estar comigo era a tão aguardada "eu não sei o teu pior. Todo mundo tem um lado obscuro. Mostra-me o teu". 

Eis-me aqui. Ferindo-te com palavras, com raiva, te machucando no mesmo nível que me machucas com a tua distância. Secretamente, também é a minha forma de dizer que ainda te amo e me importo contigo, já que do jeito tradicional sou impedida de dizer. Se tu dizes que agora sim conheceste meu lado cruel... bem, amor... agora essa justificativa não podes usar mais, viu? 

Todos nós amamos à uma certa distância, é bem verdade. Ainda que um casal durma na mesma cama. Tu levas a distância extremamente a sério. Literalmente. Talvez, é só assim que tu consigas amar. Talvez, é só assim que consigas sustentar um "nós". Afinal, eu sei o motivo da tua distância. E eu realmente não sei se um dia estarás pronto para falar o que eu já sei. Queria ouvir de ti. Da tua boca. Só o que ouço dela é um "Jamais me terás como queres". Talvez, seja tua forma de me dizer que nunca vais conseguir me contar o por quê. Teu medo te cega.

Talvez eu precise entender isso. Talvez isso precise que essa frase dita uma única vez por ti entre na mente, definitivamente. Mas, se um dia isso entrar na minha mente... O que resta de mim? 

Vamos brincar de "você finge que me engana e eu finjo que acredito". De certo, muita gente no mundo só consiga sobreviver assim. 

Talvez, tu jamais me darás a oportunidade de dizer que não te rejeitarias como a tua cabeça te faz acreditar. Que isso não seria um problema. Talvez, tu tenhas medo de entender que eu ainda assim escolheria estar contigo. O que farias com essa informação? O que farias com o meu sim? 

É interessante como passamos a viver a vida com base nos nossos fantasmas, nos nossos piores pesadelos. E, só talvez, eles jamais seriam reais se a gente desse uma única chance deles irem embora. 

Ainda sigo sem saber o que fazer com o amor que sinto. Com a saudade. Com a falta. Hoje eu posso dizer que entendo quem usa o álcool ou outras drogas para fugir da realidade. Ela é devastadora mesmo. 

Nunca, nunca me deixaste mostrar o quanto te amo. Porque falar é muito fácil, tão fácil que todo mundo diz a todo momento por todos os motivos. Nunca me deixaste mostrar o quanto tu podes baixar a guarda comigo. O quanto tu podes deixar a insegurança se afogar sozinha. 

Talvez, isso jamais seja possível. Talvez, eu passe a vida inteira sem conseguir te mostrar tudo isso. Por puro medo teu. Descabido. Irreal. Dilacerante. Inútil. Burro. 

Talvez, minha vida, com todas as experiências possíveis já vividas se resume a um impossível. O impossível bate na minha porta desde que eu era criança. O possível sempre se desfaz na minha frente. 

O que me resta? 

O que me resta? 

O que sobra? 

O que sobra? 

Talvez, tu já estejas bem com os teus impossíveis que acreditas existir. Talvez, eu precise mesmo mais do que tu de um "cuide-se". E... há diferentes formas de cuidado. 

(...)

Qual é o bar mais próximo? 




 

domingo, 7 de maio de 2023

Controle de fronteira durante a chuva (o impostor)

 


"Você sabe que tem algo a mais aí, e isso é com você, não comigo. Não joga para mim", disse Sarah, antes de se levantar após encerrar a discussão e ter ouvido, aos gritos, um "cala a boca"

Uma tempestade estava chegando. Tanto lá fora quanto dentro de casa. Talvez, a vigésima só no início do ano. Cada vez mais constante ouvia frases como "você não me ama mais", "eu deixei de ser importante para você", "você não me entende" e sempre pensava em responder algo, e desistia todas vezes. Evitava a todo custo brigas que durariam horas ou dias. 

Estava exausta de sentir saudade, de pedir para "pelo amor de Deus, para com essa merda e resolve o que precisa resolver", de tentar conversar sem gerar brigas dramáticas e desnecessárias. De tentar responsabilizar a outra parte pelo relacionamento, sem que isso virasse um jogo de xadrez e tudo sempre voltasse contra ela. Estava exausta de pisar em ovos. De ter a sensação de que andava por um campo minado, em que precisava tomar cuidado com qual passo dava em direção a sabe-se lá onde. 

Tudo isso em meio a um "não me deixe". Como não deixar se a outra pessoa fazia de tudo para sabotar o relacionamento? Como não deixar se o outro lado preferia terminar tudo antes de se sentir rejeitado? Tudo virava de ponta cabeça a cada frase distorcida, paranoias e jogo de palavras. 

Tentou sentar para conversar sobre o que estava acontecendo e explicar o que a outra pessoa fazia sem perceber, tornando o diálogo impossível. Ouvia sempre que ela exigia demais, pressionava demais e a outra parte já estava farta do trabalho para ter que lidar com mais problemas pessoais. Certa vez, ouviu da outra pessoa em questão perguntar se o trabalho as afastaria. Pensou em dizer que não. Não era o trabalho o problema. Não era o trabalho que as afastaria. Era ela mesma. Desistiu. Parou de falar. Parou de dizer que sente saudade, parou de dizer que amava aquela pessoa. 

E então começaram os ataques de pânico. No início, esporádicos. Por fim, foram ficando cada vez mais frequentes. Diários. Mas não podia falar nada. Ou ouviria pela milésima vez "Está vendo? Sou uma má pessoa. Você não me merece. Não fique comigo. Procure alguém melhor". Ela ria cada vez que ouvia essas frases. Ensaiava um discurso para novamente explicar o que acontecia, mas o outro lado jamais iria admitir, e, desistia. 

Sofria sozinha. Já estava sozinha, de qualquer forma. O outro lado só pensava em trabalho. Mais trabalho. Fugia para o trabalho para não ter de encarar o resto da própria vida. E quando encarava tudo o que precisava resolver, dizia sempre que queria morrer. E que ela jamais entenderia. 

O outro lado mal sabia que ela sabia. Das mentiras como sintoma. Das fugas. Das 300 justificativas não justificáveis para não caminharem juntos. Mal sabia que ela sabia que tudo era uma cortina de fumaça para abafar o que a outra parte nunca quis contar. Ela sabia. 

Tudo se resumiu a ouvir um "Você está diferente comigo". Sim, ela estava diferente. Deixou de reclamar que a outra pessoa não dava valor ao que tinha. Não acreditava mais em palavras que não encontravam ações reais. Deixou de acreditar no tal "romântico incorrigível" que a outra parte alegava ser. Tão romântico que não mexia um dedo para estar com Sarah. Como são as ilusões que cada um acredita para si... "Me dê 1 ano". Ela deu 5 anos. Mais do que 5, na verdade.

Na verdade, era cômodo para o outro lado manter o status quo na relação. Algo do tipo "não me lembre do que preciso fazer. Vamos seguindo e estando tudo bem. Não me lembre das minhas mentiras. Só fique comigo. Mas não exija nada de mim. Enquanto eu sempre direi que quero estar contigo, embora jamais o faça. Mas fique comigo. Vamos seguindo. Não me pressione. Um dia, quem sabe, farei o que você gostaria". 

Ali, ela entendeu. Ali ela entendeu que jamais as coisas mudariam se o outro lado não dissesse a verdade, sem antes se proteger com crises de raiva, brigas e infinitos testes. Ela era sempre testada para saber se ainda queria, se ainda amava. "Você ainda me ama?", "Ainda pensa em ficar comigo para sempre?", "Você ainda me tem nos seus planos?", "Vamos viajar juntos. Quando você programou as suas férias?". Qualquer boa reposta para apaziguar a angústia do outro lado, sem que isso signifique, que de fato, dariam um passo a frente para permanecerem juntos. Afinal, em todas as hipóteses possíveis (na mente da outra parte do relacionamento), a pessoa seria rejeitada e deixada por ela. 

Sarah ria quando ouvia que rejeitaria facilmente o outro lado. Mal sabia que ela já sabia. E que ainda estava ali, tentando. Ria das atitudes desesperadas do outro lado feitas por motivos... inúteis. Ela ainda estava ali. Pensou em dizer que a outra parte era cega demais e não via o que estava bem diante dos seus olhos. Mas seria em vão. A outra pessoa só acreditava 100% nas armadilhas da sua própria mente. Uma pena. 

Ali ela entendeu que amor não segura relacionamento. Entendeu que amor nunca é, sozinho, suficiente para sustentar uma relação. Ela já sabia disso, mas relutava em entender. E chorava. Soluçava. Sentia uma raiva gigante ao ver a outra pessoa tomando atitudes tiradas do cu para manter um distância sem sentido. 

Os ataques de pânico era uma forma dela gritar "Para com isso, pelo amor de Deus". Mas jamais seria ouvida. Não diria a ninguém. Não falava nada. Só ouviria o mesmo discurso de sempre. Ria de ódio ao ouvir que o melhor era cada um seguir seu caminho. Era uma risada melancólica. Digna de O Coringa. Ria da atitude impensada, impulsiva e cheia de insegurança da outra parte em querer terminar tudo. Não resolveria absolutamente nada. Só isentaria o outro lado da responsabilidade de ficar. Cômodo, no mínimo. É mais fácil fugir do que ficar. Sempre é. 

Parou de dizer. Parou de ser. E isso teve consequências. Mas, silêncio. Ninguém podia saber. Ou seria mais uma tempestade em alto mar. Lembrou de algo que ouvira muitos anos atrás. "Se eu te contasse a verdade, você jamais iria querer me ver de novo". Dizia mentalmente, "Eu já sei, idiota. Não subestime minha inteligência". 

Durante a tempestade de verão, ela sentou para tomar um chá. Dizem que chá de camomila acalma. Risos. Talvez fosse necessária uma floresta inteira de flores de camomila para acalmar a angústia.  

Às vezes é melhor sair da realidade quando a dor é excruciante. Então, vamos lá, pensou ela. 


    

P.S.: uma parte desse texto foi escrita 
no dia 31 de dezembro de 2023. 
Outra parte foi finalizada hoje. 


"Eu disse: Lembre-se desse momento
No fundo da minha mente
Quando estávamos lá com nossas mãos tremendo
A multidão se levantava e ia à loucura
Nós éramos os reis e rainhas
E eles leram os nossos nomes
Na noite em que você dançou 
como se soubesse que nossas vidas 
nunca mais seriam as mesmas
(...) 
Vida longa às barreiras que atravessamos
Todas as luzes do reino brilhavam só para mim e você
Eu estava gritando: Vida longa a toda a magia que fizemos
E tragam todos os impostores
Um dia, seremos lembrados
(...)
 Isso é um absurdo
Porque, por um momento, um bando de ladrões
Com jeans rasgados conseguiram dominar o mundo
(...)
Vida longa a todas as montanhas que movemos
Eu vivi o melhor momento da minha vida
 lutando contra dragões com você
Eu estava gritando: Vida longa àquele olhar no seu rosto
(...)
Continue girando
Confetes caem no chão
Que essas memórias nos confortem na queda
Você tem um momento?
Me prometa isto
Que você ficará ao meu lado para sempre
Mas se, Deus me livre, o destino tiver que interferir
E forçar a nossa despedida
Se você tiver filhos algum dia
Quando eles apontarem para as fotos
Por favor, diga a eles o meu nome
- Long live, Taylor Swift

terça-feira, 25 de abril de 2023

Project Rose #4: Desconhecida


Eu não posso viver do jeito errado antes de... morrer.  
O que eu vou fazer com isso? 
O que eu vou fazer com essa vida que não era para ser vivida assim? 
Talvez eu já esteja morta, e, não me avisaram.



"Perdida no mundo, distante de mim
Eu mesma e eu
(...)
Eu tentei mas nunca entendi 
Porque me senti como uma 
estranha na multidão"
- Alien 




segunda-feira, 10 de abril de 2023

Project Rose #3: A garota no espelho



Eu sou real. Mas não existo. Precisei construir uma imagem para que eu conseguisse minimamente existir. Todos amam essa imagem que criei ao longo dos anos. Uns dizem que eu os salvei do pior. Outros dizem que os inspiro. Talvez, seja verdade. Mas a imagem que deixo você olhar continua sendo falsa, sabia? Desculpa jogar suas expectativas no chão, mas... toda imagem tem algo de falseável e manipulado. Afinal, é uma imagem, e, portanto, cheia de fantasias. 

Às vezes me perco entre quem eu sou e quem eu mostro ser ao público. A imagem de princesa disso e daquilo me faz caminhar adiante, mas não sem a máscara que pus e que todos acreditam. 

Por vezes canso dessa imagem que você tem de mim e quero me livrar das amarras que eu mesma construí... mas quem eu sou sem a imagem que você vê? 

Corre por aí um vídeo de uma "santidade" budista abusando de um menor. Como as pessoas se chocam com o óbvio... com o que sempre existiu mas que nunca quiseram ver. 

Não idolatre ídolos. Não idealize a mim. Eu sou apenas o recorte que você escolheu ver. Sou para você apenas o que eu escolhi mostrar. Não conte a ninguém meu eu com quem tenho de conviver. 

Não tenho culpa se você se decepcionar comigo. Ou talvez, eu tenha. Talvez eu exista, mas não seja real. Talvez você também tenha se agarrado a uma imagem minha para sobreviver. 

Você é manipulável. Eu? Idem. Olhe para a minha vida agora. Estou numa posição da qual não consigo sair. Não sei se quero. E se isso te frustra... Sinto muito quebrar suas fantasias. Mas eu prefiro manter as minhas. 

Ir ao psiquiatra? Para tratar o que, se nem eu me reconheço no espelho? Psicoterapia? Para que, se levo meus problemas a Deus? Não é ele onipotente? Não é para ele que eu terceirizo minha responsabilidade? Não é isso que aprendemos a vida toda? 

Continuo em orações. Dizem que religião é poder. Indústria da música e a minha imagem também. Você caiu direitinho. Eu... eu apenas tentei sobreviver. 




"Há uma garota no espelho
Eu me pergunto quem ela é...
Às vezes acho que a conheço,
Às vezes, realmente gostaria de conhecê-la
Há uma história em seus olhos
Canções de ninar e despedidas
Quando ela olha de volta para mim
Consigo ver que seu coração facilmente se quebra"
- Girl in the mirror


segunda-feira, 3 de abril de 2023

Project Rose #2: Minto, logo existo


Para crescer, a criança aprende a mentir. Para sobreviver, adultos continuam a mentir. 

Enquanto crianças contam mentirinhas... Adultos tropeçam na própria vida, perdidos sobre o que fazer (algum dia não ficaremos?) e as mentiras tomam a forma que a nossa imaginação quiser.

Para não ter que lidar com o outro... Para não ter que lidar comigo, digo inverdades. As pessoas irão acreditar, sim! Porque sou eu. Como não acreditariam em mim? Eu sou tudo o que eles querem ver e ouvir.

Talvez, só talvez... quando conto mentiras para eles... eu esteja sempre contando a mim mesma. Talvez eu precise acreditar no que eu digo para assim seguir. E sabe, minhas mentiras são minhas verdades, maquiadas para que os outros não precisem ver. Me ver. Me perceber. Me conhecer. 

É mais fácil eu performar e alimentar todas as suas fantasias do que catar no chão meus fragmentos de verdade. Alguém ficaria se conseguisse me olhar sem figurinos e efeitos especiais? Alguém se afastaria se presenciasse eu desabando? 

Calma... Antes, vamos cantar e dançar uma composição minha enquanto vocês apreciam minhas máscaras e enquanto eu não sei o que fazer com a minha realidade. 



"Senhoras e senhores, tenho uma historinha para contar... 
sobre Mona Lisa e de como, de repente, ela desabou. 
Eles a conheciam tão bem... 
Isso faz vocês chorarem?"
- Mona Lisa

Project Rose #1: Oops


Eu recebo amor de todos os lados. Mal sabem eles que eu não consigo senti-lo daqui. Palavras não me alcançam. 

O que eles farão quando descobrirem que eu os odeio? 



"Eu fiz você acreditar que éramos
 mais do que amigos... 
Porque perder os meus sentidos 
é tão típico de mim..."
- Oops!... I did it again



domingo, 5 de março de 2023

A viagem


Pôr do sol. Exatamente 18:14h. Enquanto ele estava na loja de conveniência de um posto de gasolina qualquer, comprando alguma comida para a viagem, ela olhava para o relógio do GPS do carro. Por um segundo, olhou para o lado, como quem procura por respostas. Respirou fundo, ligou o carro e esperou ele voltar. 

- Está tudo tão caro! Um simples pão de queijo por 8 reais! - ele diz, ao abrir a porta do carro. 

- Fato. - respondeu baixinho, com as mãos no volante, sem olhar para ele. 

- O que tu tens? - ele pergunta, enquanto saem do posto até a avenida mais próxima. 

- Nada... Estou dirigindo. - Diz, tentando não entrar em conflito. 

- Não deveríamos fazer essa viagem. Não é um bom momento. Não estamos bem. 

Ela respira fundo novamente, para o carro, e olha para a luz vermelha do semáforo. 

- Quer voltar para casa? Quer desistir de ir? 

- Não. - ele respondeu.

- Então por que diz que não deveríamos ir? - pergunta, finalmente olhando para ele. 

- Porque poderíamos estar melhor para viajar. Sem precisar usar tantas máscaras sociais e fingir que está tudo bem. Mas se para ti está ok essa situação, então vamos lá. 

- Não entendes mesmo o motivo de eu estar diferente? Não entendes eu sentir a tua falta e exigir mais presença? Por que sempre fazes disso uma tempestade? Santo Deus... 

- Tu escolheste te afastar. 

- Eu não escolhi nada. Eu não me afastei!!! - gritou, enquanto reduzia a velocidade. - Não consegues ver o que está bem diante dos teus olhos? Não entendes que estou reativa a ti? Que porra é essa que tu estás fazendo com a gente? 

Ele permaneceu em silêncio. 

- Tu deverias começar as sessões com teu analista. Vais precisar. - finalizou, enquanto colocava alguma música para tocar, interrompendo a discussão entre os dois. 

Ela já sabia o que ia acontecer. Engoliu o choro. Olhou fixamente para a estrada e se concentrou em dirigir. Pensou em dizer algo, mas conteve-se. Ele não acreditaria. Ele estava agarrado em seus próprios pensamentos. Ele construiu seu próprio muro, sua própria prisão mental, essa que ela estava, exaustivamente, tentando derrubar. 

Era sempre ele quem dava 2 passos para trás. Ela sempre ficava, não importa o que acontecesse. Dos incontestáveis términos, ela nunca participou. A insegurança era tão presente, que ele preferia se afastar do que ter seu medo do abandono tornado realidade. Ela sempre ficou. Sempre estaria ali. Embora, ele sempre colocasse em cima dela os afastamentos que talvez nem ele mesmo entendia por que fazia. 

Engoliu o choro. Mais uma vez. Afinal, não era ela quem havia mantido distância, mesmo estando tão próximos. 

sábado, 18 de fevereiro de 2023

Re-replay


Boa sorte com sua nova (nem tanto) vida. 
Boa sorte em viver sem mim. 
Boa sorte em achar alguém que cuide de ti. 
Boa sorte com teus monstros internos. 
Boa sorte com o teu inferno particular.
Boa sorte em descumprir promessas feitas. Disseste que nunca mais farias isso, lembras? Opa, tua impulsividade te coloca para cavar mais fundo o poço que criaste. 
Boa sorte com tantos medicamentos tomados para tentar resolver a vida. Essa que dizes que vives. 
Boa sorte ao se cobrar tanto. 
Boa sorte com a interminável teimosia. 
Boa sorte em tentar não precisar de mim. 

Pode espernear, pode gritar aos quatro cantos, podes negar o quanto for... não vives sem mim. Eu nunca vou embora. Estou dentro da tua mente. 

Durmo tranquila todas as noites. O buraco você quem cavou. Tens tanto medo do abandono, que desiste antes. Para não correr o risco da rejeição. Ora, ora... 



"Ainda estou viva? Onde estou? Eu choro
Quem foi que puxou o gatilho, foi você ou eu?
Estou completamente entorpecida
Por que você está sendo burro?
Eu não vou me culpar, porque nós dois sabemos que foi você
Eu não sei o que fazer, você não sabe o que dizer
As cicatrizes em minha mente estão se repetindo
O monstro dentro de você está me torturando
As cicatrizes em minha mente estão se repetindo"

- Replay, Lady gaga


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023

Para não perder o costume


(Eu já estava esperando por isso, na verdade. Sem vontade alguma. Ah, a previsibilidade... Conheço-te, criança, mais do que imaginas!)

--

E, como de costume, construíste um muro em volta de ti (aquele que prometeste derrubar, lembra?) como uma criança o faz quando se sente ameaçada. Minaste teu campo, para que ninguém consiga chegar perto de ti, mesmo tu implorando por amor. 

De praxe, próximo de todas as datas comemorativas e feriados, voltas ao teu bunker, sem nem se dar conta. Quase inconscientemente, arrumas brigas insanas e aflora desentendimentos, discute por um garfo fora do lugar, justifica a ti mesmo tuas distâncias. Sim, precisas dizer a ti que não vales nada. Acreditas que não podes ter a dignidade de uma companhia, e então cria as mais diversas situações para não ficar. Teus delírios te consumiram a ponto de não saber qual é a realidade e o que é que corre nas tuas veias: não é sangue, é o teu passado. 

O passado se fazendo presente e futuro. O medo se fazendo rotina. A insegurança sendo tua refeição diária. Colocas sempre um fim naquilo que te deixa em pé. Afinal, só soubeste te arrastar na lama. Um fim para não querer saber. Um fim para não querer sentir. Um fim para não se responsabilizar. Um fim para não ter de ver o que está diante dos teus olhos. 

Tua cegueira é infinitamente maior. Permanente (se assim deixares). É quase tua paixão avassaladora. Ao primeiro sinal de luz, sai correndo para o meio do escuro. Dizes por aí que te abandonam. Só não contas que hoje tu fazes o papel dos outros que andaram pelo teu passado. Foges tanto dele que o encontras em cada esquina da vida. Quem teme tanto o abandono, está fadado a torná-lo realidade. Alguns chamam isso de autossabotagem, eu chamo de brincadeira de esconde-esconde. 

Contas até 100. Um olhar no espelho e põe tudo a perder. Não sabes o que fazer comigo. Não aprendeste o depois. Afinal, ninguém ficou para contar história. Meu Deus, o que fazer se eu fico? O teu manual de como viver a vida não ensinou isso. Têm algo errado! Logo, vamos pôr um fim nisso. Pronto. Problema resolvido. 

(Ilusões são uma coisa louca, né?)

Clozapina não vai curar o passado. Lisdexanfetamina não vai te fazer acordar para a vida. O que cura é ficar. Mas esqueces que foges dela, tão perseguida por ti, como o diabo foge da cruz. Mas não estás pronto para essa conversa. Não sei se um dia estará. 

Ao menos, a culpa de sempre pôr um fim e desistir, eu não carrego. Afinal, não sou eu quem está às voltas e mais voltas ao redor do abandono. A resposta está logo na tua frente. Opa, esqueci da cegueira. 

Por aqui, o ódio não se fez presente. Outro sentimento ainda (perdido) corre sem freio. E arde. 


(Adeus para sempre. Até a proxima olhadinha de canto no espelho)


"O motivo pelo qual eu insisto...
Por que eu preciso que esse vazio desapareça
É engraçado, você é quem está destruído
Mas eu sou a única que precisava ser salva
Porque quando você nunca vê a luz,
É difícil saber qual de nós está desabando"
- Stay, Rihanna. 


domingo, 15 de janeiro de 2023

Disco arranhado


Mais uma justificativa para caminhar fora dos trilhos e não estar na estação de trem no horário marcado. 
Mais um motivo para não atender aquele telefone, um retrô clássico azul marinho, dado de presente pelo teu pai, e fingir que não está em casa quando ele toca. 
Mais um não, quando eu sei que gostarias de ter dito sim, ao correr desesperado pela ponte num dia chuvoso em meio a discussões sobre como seguir em frente. 
Mais uma carta devolvida ao remetente, após várias tentativas de entrega. Sabes o que está escrita nela? 
Certamente, não sabes. Não pretendes saber. Fazes como há anos aprendeste: 2 passos para trás ao ver o menor sinal de tempestade. Não te ensinaram a dançar na chuva? Talvez tenhas brincado demais de faz-de-conta trancado em casa, durante a infância, e nunca te permitiste sentir o cheiro da chuva e de terra molhada.

Ainda tens medo de raios e trovões. Fazes de tudo o que for possível para não sair quando chove. Olhas constantemente a previsão do tempo. Talvez seja até capaz de um suicídio preventivo, para não ter que andar na chuva. Não tem mais água e comida em casa. Ainda assim, nada te impede de continuar inerte. 
Tu dás voltas e voltas para fugir do caminho. Como um disco arranhado. 

Baby, nunca passou pela tua cabecinha delirante que eu sei o que escondes até da tua sombra? 
Ainda estou aqui, apesar disso. Mas, ahh... as voltas sem parar em torno do desejo é uma cena e tanto. Quero ver teu rosto quando perceberes que tudo isso foi... inútil. Que não precisavas fazer absolutamente nada disso, nem malabarismos com o tempo, nem contar justificativas mirabolantes para não vir aqui fora. 

Vai continuar chovendo! Conheces a tempestade só de longe. Não ousas te molhar. Vozes da tua cabeça disseram que é uma chuva ácida. Olhe ao redor... nunca foi o fim. Ainda há jardins, casas e árvores intactas. 

Eu sei que ainda deixas alguns comprimidos de clozapina na gaveta perto da tua cama. Podem te fazer bem.  

Liberdade é poder se molhar e dançar na chuva sem medo dos clarões no céu. Sabias?

Enquanto isso, dentro de casa... Um disco arranhado anda em círculos. Até que alguém coloque a agulha, que lê as ranhuras do sulco do vinil, na posicao certa. Assim, ela o traduz em vibrações, geradas pelo contato entre as superfícies. Contato entre as superfícies. Entendes?
É assim que a música toca. Nunca te contaram? Ou estavas preocupado demais com a tempestade? 

Psiu... vai chover. 

Psiu... guarda-chuvas existem. Tenho um aqui. Vem pegar. 




"Vai ficar parado aí me ouvindo chorar? 
Tudo bem, porque eu adoro o jeito como você mente"
- Love the way you lie
Eminem feat. Rihanna